sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Pois é, pra que ? Sidney Miller

1. - Sidney Miller



Sidney Álvaro Miller Filho (Rio de Janeiro, 18 de abril de 1945 — Rio de Janeiro, 16 de julho de 1980) foi um compositor brasileiro, carioca, que despontou durante a década de 1960. Como outros  artistas que também estavam começando participou com algum destaque em diversos festivais de música, bastante populares nesse período. 

Cursou Sociologia e Economia, porém sem concluir nenhum dos cursos. No início da carreira chegou a ser comparado com o também estreante Chico Buarque, uma vez que tinham em comum, além da timidez, a temática urbana e um especial cuidado na construção das letras. Além disso, a cantora Nara Leão, famosa por revelar novos compositores, teve grande importância na estreia dos dois - inclusive gravando, em 1967, o disco Vento de Maio, no qual dividiam quase todo o repertório: Chico Buarque assinou 4 canções, enquanto Sidney Miller era o autor de outras cinco. 

O primeiro registro importante como compositor foi em 1965 no I Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior (SP), obtendo o 4.º lugar com a música Queixa, composta em parceria com Paulo Thiago e Zé Keti, interpretada por Cyro Monteiro. 

Em 1967, ao lado de Nara Leão interpretou a música A Estrada e o Violeiro no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record (SP), conquistando o prêmio de melhor letra. 

Em 1968, também pelo selo Elenco lançou o Lp Brasil, do Guarani ao Guaraná, que contou com as participações especiais de diversos artistas como Paulinho da Viola, Gal Costa, Nara Leão, MPB-4, Gracinha Leporace, Jards Macalé, entre outros. O maior destaque do disco ficou por conta toada Pois é, Pra Quê. 

A partir de então Sidney Miller intensificou a carreira na área de produção, produzindo espetáculos de Teatro, arranjos de LP, trilha sonora de filmes e de peças, musicou sonetos de Camões e em 1974 lançou o último disco da carreira o LP Línguas de Fogo.

Nos últimos anos de vida, Sidney Miller estava afastado do circuito comercial. Tinha planos de voltar a gravar, de forma independente, um LP que se chamaria Longo Circuito. Trabalhava na Funarte, quando suicidou-se com apenas 35 anos. A sala em que trabalhava passou a se chamar Sala Funarte Sidney Miller e foi transformada num teatro. (fonte: wikipedia)

2. - A música "Pois é, Pra que ?"

2.1 - Música



 

2.2 - A letra








O automóvel corre
A lembrança morre
O suor escorre
E molha a calçada
A verdade na rua
A verdade no povo
A mulher toda nua
Mas nada de novo
A revolta latente
Que ninguém vê
E nem sabe se sente
Pois é, prá que?

O imposto, a conta
O bazar barato
O relógio aponta
O momento exato
Da morte incerta
A gravata enforca
O sapato aperta
O país exporta
E na minha porta
Ninguém quer ver
Uma sombra morta
Pois é, prá que?

Que rapaz é esse?
Que estranho canto
Seu rosto é santo
Seu canto é tudo
Saiu do nada
Da dor fingida
Desceu a estrada
Subiu na vida
A menina aflita
Ele não quer ver
A guitarra excita
Pois é, prá que?

A fome, a doença
O esporte, a gincana
A praia compensa
O trabalho a semana
O chopp, o cinema
O amor que atenua
Um tiro no peito
O sangue na rua
A fome, a doença
Não sei mais porque
Que noite, que lua
Meu bem, prá que?

O patrão sustenta
O café, o almoço
O jornal comenta
Um rapaz tão moço
O calor aumenta
A família cresce
O cientista inventa
Uma flor que parece
A razão mais segura
Prá ninguém saber
De outra flor
Que tortura...

No fim do mundo
Tem um tesouro
Quem for primeiro
Carrega o ouro
A vida passa no meu cigarro
Quem tem mais pressa
Que arranje um carro
Prá andar ligeiro
Sem ter porque
Sem ter prá onde
Pois é, prá que?
Pois é, prá que?
Pois é!


2.3. - Comentário sobre a Letra


É uma letra que nos traz à mente uma sequência de fatos do cotidiano. Relata o desenvolvimento da vida à procura do sentido para cada coisa. Ao mesmo tempo em que parece que nada faz sentido, também transmite a mensagem que existe um sentido para a  vida mas não nas coisas supérfluas que são citadas. O verdadeiro sentido permanece para ser descoberto nas coisas simples como o relacionamento afetivo, a beleza da natureza, a existência da vida, ...,.

É uma música tanto depressiva como bela, cabendo os dois sentimentos, dependendo do seu estado de espírito. 

Além da interpretação do próprio Sidney Miller temos outra gravação igualmente boa feita pelo MPB4.



3. - Outras Músicas
 
3.1 - A Estrada e o Violeiro (Melhor letra do III Festival da MPB, TV Record, 1967)

"Sou violeiro caminhando só, por uma estrada caminhando só

Sou uma estrada procurando só levar o povo pra cidade só
 
Parece um cordão sem ponta, pelo chão desenrolado
Rasgando tudo que encontra, a terra de lado a lado
Estrada de Sul a Norte, eu que passo, penso e peço
Notícias de toda sorte, de dias que eu não alcanço
De noites que eu desconheço, de amor, de vida e de morte
"
 
 
 
 
 
3.2 - O Circo
 
"Vai, vai, vai começar a brincadeira
Tem charanga tocando a noite inteira
Vem, vem, vem ver o circo de verdade
Tem, tem, tem picadeiro e qualidade
Corre, corre, minha gente que é preciso ser esperto
Quem quiser que vá na frente, vê melhor quem vê de perto
Mas no meio da folia, noite alta, céu aberto
Sopra o vento que protesta, cai no teto, rompe a lona
Pra que a lua de carona também possa ver a festa
"
 
 

 

5. - Referências

Wikipedia - Sidney Miller 
Análise letra: http://professorantonior.blogspot.com.br/2014/02/poi-e-pra-que-sidney-miller.html 

www.letras.mus.br

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