quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A Obra de Candido Portinari

I - Candido Portinari


Candido Torquato Portinari nasceu em Brodowski (interior de São Paulo) em  29 de dezembro de 1903 e faleceu no  Rio de Janeiro, 6 de fevereiro de 1962. Portinari é considerado um dos artistas mais prestigiados do Brasil e foi o pintor brasileiro a alcançar maior projeção internacional.

Portinari pintou quase cinco mil obras desde pequenos esboços e pinturas de proporções padrão, como "O Lavrador de Café", até gigantescos murais, como os painéis "Guerra e Paz", presenteados à sede da ONU em Nova Iorque em 1956.

II - Histórico


Com a vocação artística identificada logo na infância, Portinari teve pouco estudo não completando sequer o ensino primário. Aos 14 anos de idade Portinari foi contratado como ajudante de uma trupe de artistas italianos que atuavam em restauração de igrejas. Seria o primeiro grande indício do talento do pintor brasileiro.

Aos 15 anos, já decidido a aprimorar seus dons, Portinari deixa São Paulo e parte para o Rio de Janeiro para estudar na Escola Nacional de Belas Artes. Durante seus estudos na ENBA, aos 20 anos já participa de diversas exposições, ganhando elogios em artigos de vários jornais. Apesar da badalação, o artista começa a demonstrar o interesse por um movimento artístico até então considerado marginal: o modernismo.


 Baile na Roça, 1924, coleção particular
-Um dos principais prêmios almejados por Portinari era a medalha de ouro do Salão da ENBA que tinha como prêmio uma viagem à Europa.
-Em 1924 participa do Salão Nacional de Belas Artes com o quadro Baile na Roça obra com temática brasileira, mas é recusado pelo júri.
- Nos anos de 1926 e 1927, o pintor conseguiu destaque, mas não venceu.


Em 1928 Portinari deliberadamente preparou uma tela com elementos acadêmicos tradicionais e finalmente ganhou a medalha de ouro e uma viagem para a Europa. Anos depois, Portinari chegou a afirmar que suas telas com elementos modernistas escandalizavam os juízes do concurso.

Os dois anos que passou vivendo em Paris foram decisivos no estilo que consagraria Portinari. Lá ele teve contato com outros artistas como Van Dongen e Othon Friesz, além de conhecer Maria Martinelli (1912-2006), uma uruguaia de 19 anos com quem o artista passaria o resto de sua vida. A distância de Portinari de suas raízes acabou aproximando o artista do Brasil, e despertou nele um interesse social muito profundo.
Olegario Mariano, 1928, Museu Nacional Belas Artes, RJ

O Lavrador de Café (1939)
Em 1931, Portinari voltou ao Brasil renovado. Muda completamente a estética de sua obra, valorizando mais cores e a ideia das pinturas. Ele quebra o compromisso volumétrico e abandona a tridimensionalidade de suas obras. Aos poucos o artista deixa de lado as telas pintadas a óleo e começa a se dedicar a murais e afrescos. 

Ganhando nova notoriedade entre a imprensa, Portinari expõe três telas no Pavilhão Brasil da Feira Mundial em Nova Iorque de 1939. Os quadros chamam a atenção de Alfred Barr, diretor geral do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA).
O Lavrador de Café, 1939, MASP


A década de 1940 começa muito bem para Portinari. Alfred Barr compra a tela "Morro do Rio" e imediatamente a expõe no MoMA, ao lado de artistas consagrados mundialmente. O interesse geral pelo trabalho do artista brasileiro faz Barr preparar uma exposição individual para Portinari em plena Nova Iorque. 



Nessa época, Portinari faz dois murais para a Biblioteca do Congresso em Washington. Ao visitar o MoMA, Portinari se impressiona com uma obra que mudaria seu estilo novamente: "Guernica" de Pablo Picasso.


III - Algumas Obras de Portinari


a) Café (1935)


Em julho de 1935 Portinari é contratado para lecionar pintura mural e de cavalete na Universidade do Distrito Federal, no Rio de Janeiro. Ao participar da Exposição Internacional do Instituto Carnegie, nos Estados Unidos, junto com pintores de 21 países, recebe a Segunda Menção Honrosa, com a tela “Café”. Essa obra é adquirida, antes mesmo da premiação, pelo ministro da Educação Gustavo Capanema, para o Museu de Belas Artes.

Café, Portinari, 1935, Museu Nacional de Belas Artes, RJ


Observa-se nessa obra  de Portinari que na representação das figuras humanas os pés e as mãos são bastante volumosos revelando a força necessária para o trabalho diário nas plantações de café. O corpo humano representado dessa forma transmite  a sensação de que as pessoas se relacionam intimamente com a terra, sempre representada em tons vermelhos.

O diretor geral do Instituto Candido Portinari, João Cândido Portinari, 70 anos, filho do artista e professor universitário já disse que "O café sempre foi recorrente na pintura e nas suas obras literárias. É uma lembrança da origem da família, imigrantes italianos que aqui chegaram no fim do século XIX para justamente trabalhar na colheita do café no interior de São Paulo". Ele cita vários versos escritos pelo pai, onde o chamado "ouro verde" é lembrado. "Saí das águas do mar e num pé de café nasci", registrou.

(Comentários do blog artefontedoconhecimento.blogspot.com)

b) Mural Biblioteca do Congresso - 1941

Em 1941 Portinari passou  vários meses nos Estados Unidos, pintando quatro afrescos para a Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso, em Washington D. C., com temas sobre a história latino-americana.

Antes de retornar ao Brasil, vê o quadro “Guernica”, de Pablo Picasso, que o impressiona profundamente. O estilo de Picasso exercerá influència na sua obra principalmente na séries "Bíblicas" e "Retirantes"

Nesse ano ele também Ilustrou o livro infantil “Maria Rosa”, da autora norte-americana Vera Kelsey.
A descoberta do Ouro, Museu Congresso Americano, 1941

A descoberta da terra, Museu Congresso Americano, 1941

c) Série "Os Músicos" 1943 - Quadro Quarteto

A pedido de Assis Chateaubriand, pinta uma série de murais para a Rádio Tupi do Rio, inspirados na música popular brasileira. Realiza nova exposição individual no Museu Nacional de Belas Artes. Ilustra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis.
O Quarteto Portinari, 1943, coleção particular

Sobre a série “Os Músicos”, Assis Chateaubriand comenta “Grandezas e misérias do Brasil, sua sensibilidade, suas tragédias secretas, a contra-revolta obscura das suas classes desafortunadas, o frenesi dos sambas, dos batuques, o desengonço do frevo, a melancolia, sem azedume, dos negros e dos mulatos, (…) o tocador de flauta e o malandro dos morros, em toda essa comédia humana a paleta de Portinari deita cores imortais (…)”. (fonte: museucasadeportinari.org.br)

d) Série Bíblica - 1944

Em 1944, eele pinta três painéis para a capela Mayrink, Rio de Janeiro. Acaba de executar um ciclo bíblico, que Assis Chateaubriand compra e leva para a Rádio Tupi de São Paulo, onde a influência da “Guernica” de Picasso é visível. Trabalha com dois painéis da série “Retirante”. Pinta um mural e azulejos sobre a vida de São Francisco de Assis para a capela da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). (fonte: museucasadeportinari.org.br)
Série Bíblica, "Jó", Portinari, 1944



"Uma característica em comum de ambas as séries, é o alto grau de expressividade encontrado nos personagens de Portinari. Sejam eles bíblicos ou marginais, os grandes olhos em dor, com torrentes de lágrimas caindo, são comuns a Jó e ao patriarca cadavérico que retira com sua família. Uma expressividade que transcende as barreiras de estilo estético."

https://faapemexibicao.wordpress.com/2013/05/23/candido-portinari-series-biblica-e-retirantes/

e) Os Retirantes - (1944)


Em 1946, Portinari expõe na Galeria Charpentier, de Paris, seus quadros e desenhos das séries “Retirantes” e “Meninos de Brodósqui”. Recebe a “Legião de Honra” do governo francês. A série  Retirantes é composta de vários quadros, podemos destacar "Família de Retirantes", "Menino Morto" e "Enterro na Rede", todos pintados em  1944 e em exibição no MASP.




Família de Retirantes, Portinari, 1944, MASP


"O termo expressionismo, empregado pela primeira vez em 1911, tem como metodologia o caráter de crítica social da arte, ou seja, valoriza aspectos como: figuras deformadas, cores contrastantes e pinceladas vigorosas. Para os artistas expressionistas, arte liga-se à ação, muitas vezes violenta, através da qual a imagem é criada, com o auxílio de cores fortes que rejeitam a hipótese da verdade, e com formas distorcidas. Essa poética encontra sua tradução em motivos retirados do cotidiano, nos quais se observam o acento dramático e algumas obsessões temáticas, por exemplo, o sexo e a morte.

Candido Portinari conseguiu retratar em suas obras o dia a dia do brasileiro comum, procurando denunciar os problemas sociais do nosso país. No quadro "Os Retirantes", produzido em 1944, Portinari expõe o sofrimento dos migrantes, representados por pessoas magérrimas e com expressões que transmitem sentimentos de fome e miséria.

Os retirantes fugiram dos problemas provocados pela seca, pela desnutrição e pelos altos índices de mortalidade infantil no Nordeste. Contribuíram para essa migração a desigualdade social, no Nordeste." 



Para ver esse texto e maiores detalhes com uma excelente explicação da obra consultem:

(http://estudosavancadosinterdisciplinares.blogspot.com.br/2012/09/os-retirantes-candido-portinari.html)


IV - Esclarecimentos


Esse blog destina-se exclusivamente a divulgação cultural da obra do grande pintor brasileiro Candido Portinari. Essa apresentação foi feita coletando-se trechos e Imagens de vários artigos, blogs e publicações na Internet como Wikipedia, ...,. Sempre procuramos colocar os créditos / referências dos textos e imagens. Quaisquer reclamações sobre uso indevido será imediatamente corrigido quando reportado nos comentários desse post ou qualquer outro meio de contato.  

Vamos publicar um segundo post sobre alguns painéis de Portinari e outras obras do período de 1944 até a 1962, ano do seu falecimento.


V - Referências


a) Histórico e Resumo bibliográfico: 

 - Wikipedia - Candido Portinari

- Acervo Portinari - http://www.portinari.org.br/

- Linha do Tempo - http://museucasadeportinari.org.br/candido-portinari/linha-do-tempo

b) As principais obras de Portinari -
 http://obviousmag.org/pintores-brasileiros/candido_portinari/as-principais-obras-de-candido-portinari.html

c) Quadro O Café:
 http://artefontedeconhecimento.blogspot.com.br/2010/07/cafe-1934-de-candido-portinari.html


d) Murais Fundação Hispânicahttp://www.poiesis.uff.br/PDF/poiesis14/Poiesis_14_MarioCandido.pdf

e)  Quadro "Os Retirantes":

http://estudosavancadosinterdisciplinares.blogspot.com.br/2012/09/os-retirantes-candido-portinari.html

http://www.doispensamentos.com.br/site/?p=61

Monografia "Possibilidades de Leitura na obra Retirantes de Cândido Portinari" Manuel Alves da Rocha Neto

f) Análise da Série Retirantes:
Análise da “Série Retirantes” de Cândido Portinari à luz dos estudos tillichianos sobre as artes plásticas Antonio Almeida Rodrigues da Silva (https://www.metodista.br/revistas/revistas-metodista/index.php/COR/article/.../2139)

g) Série "Bíblicas"
- Série Bíblicas: "https://faapemexibicao.wordpress.com/2013/05/23/candido-portinari-series-biblica-e-retirantes/

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