segunda-feira, 10 de abril de 2017

Quaresma VI - Domingo de Ramos (Pintura de Giotto di Bondone)

I - Domingo de Ramos


Domingo de Ramos é um dia de grandes emoções, balançando no limiar entre a felicidade e o desgosto. A entrada de Jesus em Jerusalém a partir da pintura da Capela Scrovegni convida-nos para uma cena de celebração, e fiel à sua forma, Giotto nos atrai para além da formalidade do estilo bizantino, e apresenta uma verdadeira vida, cena vibrante.

É uma celebração, mas que não podemos nos entregar inteiramente; É uma cena de contradições. Indicações da celebração são definidas em uma cena com um céu azul ultramarino, oliveiras verde-prateado, e as paredes brancas brilhantes da cidade. Todas essas coisas fornecem o pano de fundo a uma cena de cavalgada em um burrico, de pessoas brilhantemente vestidas que se encontram no centro da cena. 




Entrada de Jesus em Jerusalém, Giotto di Bondone, Capela Scrovegni


Uma multidão translada-se de Jerusalém para encontrar-se com Cristo e seus discípulos. Algumas pessoas ondulam ramos de palmeiras, algumas escalam árvores para obter uma visão melhor, e alguns estão removendo suas roupas para colocar diante dos cascos do burro que leva Cristo. No entanto, há algum  pressentimento nos rostos da multidão: expressões intensas e famintas fixadas em Cristo. Na periferia de nossa consciência paira a linha do Salmo: "Muitos cães me cercam, um bando de malfeitores se fecha sobre mim".

Cristo e os discípulos encontram a multidão que se aproxima. O asno grande e dócil conduz Jesus à multidão, avançando com humildade e boa vontade, venha o que acontecer. Cristo nas costas do jumento está determinado, abençoando a multidão enquanto ele avança, seu olhar descansando sobre o menino acenando a palma. Seu rosto é uma representação visual da linha de Isaías: "Eu fixei meu rosto como pederneira, sabendo que não vou ser envergonhado." É um rosto que está resolvido, mas pacífica, com uma gratidão tranquila para a multidão que exclama "Hosana!" Para recebê-lo e uma profunda confiança no amor do Pai para vê-lo através do que ele está se aproximando. 

A exclamação "Hosana!" É uma maneira de louvar a Deus, mas também carrega o significado literal "Deus nos salve." As crianças subindo e emaranhadas nas árvores, a palmeira levantada acima do burro como um flagelo, o burro como a humilde besta de carga, e as pessoas despojando suas roupas evocam todos os momentos da paixão e dica sobre o que está para vir depois deste Domingo de Ramos. Entre felicidade e angústia, esse dia nos chama a deixar ir e dar nossos medos, tristezas e encargos a Cristo enquanto ele se aproxima do Calvário.


Comentário é de Daniella Zsupan-Jerome, professora assistente de liturgia, catequese e evangelização na Universidade Loyola de Nova Orleans.

II - Giotto di Bondone


Giotto di Bondone nasceu nos arredores de Florença, Colle Vespignano, em 1267 e faleceu em Florença em 1337. Giotto ficou conhecido na história da arte pela introdução de perspectiva na pintura durante o Renascimento. 

O historiador Giorgio Vasari conta que ele teria começado a desenhar com 12 anos, quando ainda era um pastor de ovelhas, fazendo desenhos em rochas. Certa vez, o artista Cimabue, um dos maiores pintores da Toscana, o teria visto a desenhar uma ovelha, ficando surpreso com a qualidade do desenho. Cimabue então solicitou ao pai de Giotto autorização para tomá-lo como seu aprendiz.

Em 1280, Giotto foi com Cimabue para Roma onde havia uma escola de pintores de afrescos. O primeiro trabalho importante de Giotto foi uma série de afrescos que contam a vida de São Francisco de Assis. Uma das característias do trabalho de Giotto foi a introdução da aparência realista nas figuras retratando-as e dotando-as com emoções humanas. 

O realismo de Giotto causou controvérsia na época. Quadros com a cena da crucificação de Cristo pintado por Cimabue e outro por Giotto, deixam clara a diferença dos dois estilos. 

Giotto trabalhou posteriormente na construção da Basílica de Florença sendo o seu diretor responsável. 


III - Reflexão sobre o Domingo de Ramos - Papa Francisco


“Esta celebração tem, por assim dizer, duplo sabor: doce e amargo. É jubilosa e dolorosa, pois nela celebramos o Senhor que entra em Jerusalém, aclamado pelos seus discípulos como rei; ao mesmo tempo, porém, proclama-se solenemente a narração evangélica de sua Paixão. Por isso, o nosso coração experimenta o contraste pungente e prova, embora numa medida mínima, aquilo que deve ter sentido Jesus em seu coração naquele dia, quando rejubilou com os seus amigos e chorou sobre Jerusalém”, disse o Pontífice.


O Evangelho, proclamado antes da procissão, apresenta Jesus que desce do Monte das Oliveiras montado num jumentinho, sobre o qual ainda ninguém se sentara; evidencia o entusiasmo dos discípulos, que acompanham o Mestre com aclamações festivas; Provavelmente os jovens da cidade também se entusiamaram;

“Ele tinha dito claramente aos seus discípulos: «Se alguém quer vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga». Nunca prometeu honras nem sucessos. Os Evangelhos são claros. Sempre avisou os seus amigos de que a sua estrada era aquela: a vitória final passaria através da paixão e da cruz. E, para nós, vale o mesmo. Para seguir fielmente a Jesus, peçamos a graça de o fazer não por palavras mas com as obras, e ter a paciência de suportar a nossa cruz: não a recusar nem jogar fora, mas, com os olhos fixos n’Ele, aceitá-la e carregá-la a cada dia.”

“Este Jesus, que aceita ser aclamado, mesmo sabendo que O espera o «crucifica-o!», não nos pede para O contemplarmos apenas nos quadros, nas fotografias, ou nos vídeos que circulam na rede. Não. Está presente em muitos dos nossos irmãos e irmãs que hoje, sim hoje, padecem tribulações como Ele: sofrem com o trabalho de escravos, sofrem com os dramas familiares, as doenças...

Homens e mulheres enganados, violados na sua dignidade, descartados.... Jesus está neles, em cada um deles, e com aquele rosto desfigurado, com aquela voz rouca, pede para ser enxergado, reconhecido, amado.”
“Não há outro Jesus: é o mesmo que entrou em Jerusalém por entre o acenar de ramos de palmeira e oliveira. É o mesmo que foi pregado na cruz e morreu entre dois ladrões. Não temos outro Senhor para além d’Ele: Jesus, humilde Rei de justiça, misericórdia e paz.”


IV - Referências


Homilia Papa Francisco: 
http://br.radiovaticana.va/news/2017/04/09/domingo_de_ramos_papa,_jesus_est%C3%A1_presente_nos_que_padecem_/1304534

Reflexão Loyola Press
http://www.loyolapress.com/our-catholic-faith/liturgical-year/lent/arts-and-faith-for-lent/cycle-a/arts-and-faith-palm-sunday-cycle-a


Giotto - Wikipedia 




V - Série "Quaresma"


Quaresma I - Fé e Arte

Quaresma II - A Transfiguração de Rafael Sanzio

Quaresma III - A Samaritana

Quaresma IV - Cristo cura o cego de nascença (El Greco)

Quaresma V - Ressurreição de Lázaro por Janos Vaszary

Quaresma VI - Domingo de Ramos, pintura de Giotto di Bondone
http://historiacomgosto.blogspot.com.br/2017/04/quaresma-vi-domingo-de-ramos-pintura-de.html

Quaresma VII - Cerimônia do Lava Pés (pintura de Bernhard Strigel)

Quaresma VIII - Cristo e o bom ladrão

Quaresma IX - Sábado santo, "Da descida da Cruz ao Triunfo"

Quaresma X - Domingo de Páscoa, "A Ressurreição de Jesus Cristo", Piero della Francesca

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