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terça-feira, 22 de janeiro de 2019

A História da Civilização Egípcia II - Primeiras Dinastias

I. - Período Dinástico Inicial


A história da civilização egípcia, conhecida também como a história do Egito Antigo, foi melhor organizada por Maneto, um historiador e sacerdote egípcio do terceiro século antes de Cristo. Ele criou o sistema cronólogico baseado nas dinastias. As dinastias começam com o controle unificado do Alto e do Baixo Egito.  

A primeira divisão da história é chamada de período arcaico, período dinástico inicial ou ainda época Tinita. Ela foi constituída pelas  dinastias 1 a 2, que existiram por volta dos anos 3150-2686 a.C.

Narmer

O primeiro rei do Egito unificado foi Narmer. Ilustrações alusivas a esse evento  foram encontradas em uma pedra que hoje se chama de "Paleta de Narmer" e está em exposição no museu Egípcio.


 foto da Paleta de Narmer
Paleta de Narmer, Museu Egípcio


As primeiras evidências de escritas datam desse período e foram registradas em estelas de pedra, plaquetas de madeira, jarros de cerâmica ou selos cilíndricos de argila.

Anterior à unificação do Alto e Baixo Egito, por volta do ano 3100 a.C., as terras eram ocupadas por vilarejos autônomos.

Atribui-se a Narmer que ele manteve relações com a Fenícia, fez guerra contra a Líbia e a Núbia, iniciou a construção de Mênfis, canais e barragens no Nilo.


A formação do Estado

No fim do período dinastico inicial, o estado estava formado e os reis começaram a construir grandes túmulos subterrâneos com artigos funerários bem elaborados e custosos para mostrar a riqueza que acumularam.

Grandes túmulos reais em Abidos, Nacada e Sacará, juntamente com os cemitérios em Helouan, perto de Mênfis, revelam estruturas construídas  em grande parte de madeira e tijolo de adobe. A pedra era, parcamente, utilizada no revestimento de paredes e do chão. A pedra era aplicada essencialmente na manufactura de ornamentos, recipientes e estátuas.


Primeira Dinastia

NomeComentáriosData do reinado
Narmerou Menés?3200 – 3049 a.C.
Aha
Djer3049 – 3008 a.C.
Djet3008 – 2975 a.C.
Merneith Regente de Den
Denou Udimu2975 – 2935 a.C.
Anedjibou Enezib2935 – 2925 a.C.
Semerkhet2925 – 2916 a.C.
Qaa2916 – 2890 


Segunda Dinastia


A Segunda dinastia de faraós do Egipto governou o país aproximadamente de 2825 a.C. a 2675 a.C.. Os nomes destes faraós são: 

Hotepsekhemwy
Nebré
Ninetjer
Weneg
Sened
Peribsen
Sekhemib 
Khasekhemwy

Durante a segunda dinastia aconteceram crises dinásticas, lutas internas pelo poder e rebeliões de cidades. O Egito se separou novamente em torno de 2781 a.c. em dois reinos outra vez; Foi Khasekhemui que sufocou várias rebeliões e consolidou a unificação egípcia de forma definitiva.


II - Mastabas



Uma mastaba ("casa para a eternidade" ou "casa eterna") é um túmulo egípcio antigo, em que eram sepultados faraós ou nobres importantes do Egito antigo. 

Tinham a forma de um tronco de pirâmide (paredes inclinadas em direcção a um topo plano de menores dimensões que a base), cujo comprimento era aproximadamente quatro vezes a sua largura.



 foto de uma Mastaba faraônica


Começaram-se a construir desde a I Dinastia (cerca de 3100 a.C.) e foi o gênero de edifício que precedeu e preparou as pirâmides. Quando estas começaram a ser construídas, a mastaba permaneceu como a sua alternativa mais simples.

Eram construídas com tijolo produzido a base de argila e palha e exposto ao sol do deserto, de barro e/ou pedra talhada com uma ligeira inclinação para o interior, o que vai ao encontro da etimologia da palavra. 

Etimologicamente, a palavra vém do árabe maabba = banco de pedra (ou lama, segundo alguns autores). Efetivamente, vistos de longe, estes edifícios assemelham-se a bancos de lama, terra ou pedra.



Pinturas Murais

Por todo o Egito existem milhares de mastabas com uma grande variedade de pinturas murais, algumas com valor artístico inestimável. Essas imagens retratam, geralmente, atividades do quotidiano no antigo Egito. Deste modo, estes monumentos funerários revelam-se uma fonte importantíssima de informação sobre este período da história da humanidade, no que diz respeito à vida das classes mais modestas (ainda que fossem túmulos de luxo de personalidades eminentes). 

As pinturas que ornamentam as mastabas contrastam com as das pirâmides que representam, essencialmente, a vida na corte e as atividades no palácio do faraó.

III. - Abidos



Abidos, foi ocupado pelos governantes do período pré-dinástico. Os vestígios da cidade, templos e túmulos foram encontrados no local. Abidos foi o lugar de enterro mais importante de Antigo Egito no início do período dinástico. Os faraós da I Dinastia, incluindo Narmer, e alguns da II Dinastia foram enterrados lá. 

 foto das ruínas da cidade de Abidos
Vista áerea de Abydos, foto da Brown University

Com o tempo o local de governo foi se deslocando para Memphis, mas durante a XIX dinastia Abidos voltou a tornar-se uma importante cidade do Alto Egito junto com Tebas, Assuã, Luxor, Karnak e Abu Simbel.

IV. - De Abidos a Saqqara


Inicialmente o governo se estabeleceu em Abidos e ondese encontraram os túmulos dos primeiros reis (primeira e segunda dinastia). Com o tempo o governo deslocou-se para Memphis, perto de Saqqara e 30 Km do Cairo.  Abidos fica 180 Km acima de Luxor, que foi o outro centro de governo e religioso do Egito.

foto da rota de Abidos à Saqqara

V. - Saqqara


Saqqará é o nome de um sítio arqueológico do Egito, que funcionou como necrópole da antiga cidade de Mênfis, uma das várias capitais que o Antigo Egito conheceu ao longo da sua história. 

foto da região de Saqqara
Saqqara, foto de HistoriacomGosto


Situa-se a cerca de trinta quilómetros a sul da moderna cidade do Cairo, apresentando uma área com mais de seis quilómetros de comprimento e um quilómetro e meio de largura. No local encontram-se estruturas funerárias de um período que se estende desde 3 000 a.C.até 950 d.C.


foto de uma estrutura funerária de Saqqara
Adicionar legenda

O nome "Sacará" deriva de Sokar, nome de um deus da mitologia egípcia considerado como protector da necrópole e que junto com o deus Ptá e o deus Nefertum formava a tríade de Mênfis.  

Túmulos da época Tinita

Na região norte de Sacará foram descobertos a partir dos anos trinta do século XX um conjunto de túmulos de grande dimensões datados da Época Arcaica ou Tinita (período histórico constituído pela I e II dinastias).

A descoberta destes túmulos gerou certa perplexidade no meio egiptológico, dado que foram considerados como túmulos reais. Na época já se conheciam os túmulos reais da I dinastia em Abidos, tendo sido avançada a hipótese de que em Sacará estariam os verdadeiros túmulos reais e em Abidos uma espécie de cenotáfios. Contudo, hoje em dia considera-se que estes túmulos eram de altos funerários da época.

Os túmulos encontrados correspondem ao tipo mastaba, encontrando-se alinhados no sentido norte-sul. Foram construídos em adobe, apresentando fachadas que imitam a fachada de um palácio real.

Três tumbas acessíveis - Mereruka, Teti e Kagemni 

Estão sinalizadas e acessíveis as tumbas de Mereruka, Teti e Kagemni, todos reis da sexta dinastia.


foto do deserto e de tumbas enterradas da regiãode Saqqara
Saqqara, foto HistoriacomGosto

Tumba de Ka Gemni

 foto da entrada de uma tumba - Ka Gemni  foto do interior de tumba de Ka Gemni
foto das inscrições da Tumba de Ka Gemni


Outras Mastabas em Saqqara 

Três outras mastabas são encontradas fora do complexo de Djosé, são as mastabas de Idut, Nebet e Khenut. A mastaba da Princesa Idut é a mais decorada das três. Pena que ela está constantemente fechada para visitações.



 Desenho na parede da Mastaba de Idut
Mastaba de Idut


desenho interno na Mastaba de Idut contendo um barco levando alguém
Mastaba de Idut


VI. - Terceira Dinastia, King Djoser e a Pirâmide de Degraus



 - A Terceira Dinastia


A III dinastia egípcia inicia a era conhecida como Antigo Império. Esta época foi caracterizada pela origem das pirâmides e por ter sido o início de um periodo pacífico de quinhentos anos. Djoser foi o segundo faraó da Terceira Dinastia e teve como grande feito a Pirâmide de Degraus, primeira a ser construída, feita para ser ocupada por ele na cidade de Sacara.

  • Sanakht (ou Nebka): 2686-2665
  • Djoser (Netjerirkhet): 2665-2645 (JvB); 2628-2609 (JM)
  • Sekhemkhet (Djoser Teti): 2645-2638 (JvB); 2609-2603 (JM)
  • Khaba 2638-2614 (JvB); 2603-2597 (JM)
  • Huni (Qa Hedyet?): 2597-2573 (JM)


Djoser

Djoser, foi o segundo faraó da Terceira Dinastia do Império Antigo do Egito. Ele reinou durante quase duas décadas (19 anos). Foi responsável pela construção do primeiro grande edifício em pedra do mundo, a Pirâmide de Degraus de Saqqara (cidade dos mortos, na margem esquerda do rio Nilo), idealizada pelo seu arquiteto Imhotep. 

 foto da estátua de Djose
Statue of Djose
Até então, os governantes eram sepultados nas mastabas em Abidos — uma construção retangular de apenas um piso. Pela construção da pirâmide de degraus de Saqqara, sugere-se que durante seu reinado, o Egito estava politicamente estável e com uma economia bem sucedida.

Saqqara é conhecida por nela se encontrar o complexo funerário de Djoser, rei da III dinastia egípcia, com a sua conhecida pirâmide em degraus (ou escalonada), embora esta estrutura, data de cerca de 2 630 a.C., não seja verdadeiramente uma pirâmide. O arquitecto do rei, Imhotep, levantou no local uma mastaba quadrangular, sobre a qual se ergueram, numa primeira fase, três andares e depois, mais dois. A estrutura acabou assim por apresentar seis "degraus", atingindo cerca de sessenta metros de altura.


Pirâmide de Degraus

 foto da Pirâmide de Degraus
Pirâmide de Degraus, foto HistoriacomGosto

A mastaba apresentava o poço funerário habitual cavado no centro. Ao lado deste jazigo encontram-se outros aposentos funerários destinados a familiares do rei, cujas paredes estão cobertas por placas azuis.

O complexo inclui também um pátio ao ar livre, onde se celebrava a festa Sed, através da qual se pretendia renovar a força vital do soberano graças à realização de uma série de rituais. A norte do pátio estão dois edíficios que representam o Alto Egipto e o Baixo Egipto. Também na zona norte se encontra o serdab, nome árabe que designa uma pequena capela funerária onde se colocava uma estátua do defunto. Ali foi encontrada uma estátua do rei que se encontra hoje no Museu Egípcio do Cairo.

O complexo encontra-se rodeado por uma muralha com dez metros de altura, que apresenta catorze portas falsas e uma verdadeira.

VII. - Imhotep


 foto da estátua de Imhotep
Estatueta de Imhotep,
Louvre
Imhotep "aquele que vem em paz" (século XXVII a.C., ca. 2655-2600 a.C.) foi m polímata egípcio, que serviu a Djoser, rei da Terceira Dinastia, na função de vizir ou chanceler do faraó e sumo-sacerdote do deus-sol Rá, em Heliópolis. É considerado o primeiro arquiteto, engenheiro e médico da história antiga, embora dois outros médicos, Hesy-Ra e Merit-Ptah, tenham sido contemporâneos seus. A lista completa de seus títulos é:
Chanceler do Rei do Egito, Doutor, Primeiro na linhagem do Rei do Alto Egito, Administrador do Grande Palácio, Nobre hereditário, Sumo Sacerdote de Heliópolis, Construtor, Carpinteiro-Chefe, Escultor-Chefe, e Feitor-Chefe de Vasos.


VIII. Referências


wikipedia: Dinastias egípcias / Saqqara / Abydos / Djosé / Imhotep