quarta-feira, 4 de abril de 2018

Dez coisas argentinas que amamos

1. - Introdução


Uma das coisas interessantes que li recentemente sobre a relação brasileiros x argentinos é que nós amamos odiar os argentinos e eles odeiam amar o Brasil. O fato é que,   além do futebol, essa tradicional rixa, alimentada no nosso imaginário, cada vez mais se torna admiração mútua e boa convivência. Os argentinos são importantes para nós como nós somos importantes para eles.

Dentro desse espírito, antes de publicar mais um post sobre "O que visitar em Buenos Aires", já que existem tantos outros, decidi publicar esse post: "Coisas argentinas que amamos". Hoje falaremos de dez coisas incluindo o  Assado de Tiras, Vinhos, Medialunas e  outros;


2. Coisas argentinas que amamos


2.1. - Assado de Tiras 



Muito comum na Argentina, e também no Uruguai,  o assado de tiras é um corte nobre da costela do traseiro, macio e suculento, ideal para churrascos.

Além do sabor maravilhoso, o assado de tiras também tem outra característica atrativa: é muito fácil e rápida de preparar.

Para um assado de tiras, você só precisa da carne e sal grosso moído (ou sal fino, mas tnte não utilizar o sal grosso tradicional para não salgar demais a carne). 

Ao preparar o assado de tiras, o ideal é utilizar uma grelha sobre as brasas bem quentes, mas sem chamas. Deixe a carne descansar por cerca de 5 minutos em frente à churrasqueira após retirá-la do pacote.

Passado esse tempo, salgue as tiras de costela com o sal grosso apenas salpicando a carne. Não esfregue, pois a carne ficará muito salgada se você fizer isso.


Largue a carne sobre a grelha e asse por 7 a 8 minutos de cada lado. O assado de tiras estará no ponto perfeito de suculência e maciez dessa maneira.


Retire da grelha, deixe descansar por alguns minutos e sirva! Recomendamos servir com chimichurri caseiro que já ensinamos a fazer aqui no blog.




                   Essa foto de Brüder Carnes Nobres & Bistrô é cortesia do TripAdvisor


Opções para se comer um bom bife de tiras em Buenos Aires são o Dom Julio em Palermo Viejo (mais badalada), ou a Estilo Campo em Puerto Madero (mais estilo churrascaria);

2.2 - Vinhos de Mendoza (Malbec ou Cabernet Sauvignon)


A cidade de Mendoza, situada na borda dos Andes, tem uma combinação ímpar das condições climáticas, terreno, e água para irrigação. Essa combinação que os franceses chamam de `terroir´ aliadas a uma imigração de familias relacionadas com a viticultura fez com que em Mendoza haja hoje mais de 50 vinícolas de qualidade, tornando-se assim a capital do vinho da América do Sul. Mendoza é responsável por quase 80 % da produção de vinho da Argentina.



Cordilheira dos Andes vista da vinícola Catena Zapata

O solo de Mendoza é de característica desértica, o fluxo de chuvas é muito pequeno, chegando a incríveis 30 mm ao ano. Com uma exposição diária grande ao Sol e com a disponibilidade de água advinda da liquefação da neve, Mendoza tem todas as características necessárias a produção de vinhos de alta potência.

"O gradiente de temperatura elevado entre dia e noite, e a  excelente exposição ao Sol dos  vinhedos, são elementos essenciais para a qualidade do vinho em Mendoza" (José Zuccardi, La Agricola)

"Os solos de Mendoza são tipicamente bem drenados e não muito férteis. Isso em combinação com chuvas leves, faz o intenso caráter de fruta nos vinhos" (Robert Pepi, Bianchi)



As uvas mais adaptadas a região de Mendoza são:

a) Malbec: Essa cepa tinta, repleta de sabores condimentadas e de frutas silvestres, é encontrada na França e largamente cultivado na Argentina, principlamente nessa região de Mendoza,onde produz vinhos de cor profunda e taninos potentes. 

b) Cabernet  Sauvignon:  Original da margem esquerda de Bordeaux, ali alcança sua expressão máxima. Foi bem sucedida também no Vale do Napa, Califórnia,  no Chile, Maipo, e mais recentemente na Argentina, em Mendoza iniciou-se a produção de vinhos de alta qualidade. 

Alguns vinhos recomendados:

Catena Zapata:
Angélica Zapata - Cabernet Sauvignon
Catena Alta - Malbec

Terrazas;
Terrazas Reserva - Cabernet Sauvignon
Terrazas Reserva - Malbec
Afincado - Malbec
Cheval des Andes - mistura bordalesa
Achaval Ferrer
Mendoza Malbec

O. Fournier:
Alfa Crux
Beta Crux

Luigi Bosca:
Cabernet Sauvignon - reserva




2.3 - Empanadas (Centolla, Cordeiro, carne)


As Empanadas podem ser consideradas como ‘pastéis de forno’, sua massa de farinha, água e banha é recheada com carnes, vegetais, queijos ou frutas, elas podem sem assadas ou fritas. Possuem formato de meia lua e seu fechamento é um enrolado característico chamado de ‘Repulgue’ – que só é possível se fazer a mão.

A origem das Empanadas é Persa, nasceram juntamente com as esfihas e foram levadas para a Espanha. As empanadas foram trazidas aos países latinos pela colonização espanhola, sua fabricação era mais simplificada, no início era uma simples massa de pão recheada com carne ou vegetais.
A palavra empanada (in-panis, in-panata) significa “encerrar um alimento em massa ou pão para depois ser assado”. Tempos depois a elaboração da massa ficou mais complexa e se diferenciou do pão, foram adicionados na massa manteiga, gordura, e o recheio se tornou mais ‘nobre’.
As Empanadas fazem parte da cultura da América Latina, podem ser encontradas em diversos países como: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Uruguai, Venezuela e também no Brasil, cada país da América Latina tem sua maneira de rechear, temperar e trabalhar com a massa.
Em Ushuaia podemos comer uma empanada de centojja (carne de caranguejo), em toda patagônia podemos pedir de cordeiro patagônico, e em Buenos Aires de carne, queijo ou chorizo.

2.4. - Alfajores




Alfajor é um doce tradicional da Argentina, Chile, Peru, Uruguai e outros países ibero-americanos, mas originalmente criado na Espanha. O doce nasceu em Andaluzia, o nome vem do árabe al hasu e significa recheado. Não, ele não é argentino, mas merecia ser.

A história do alfajor, o doce mais tradicional da Argentina tem origem na cozinha árabe. O doce é composto de duas ou três camadas de massa, que após assadas devem ser levemente crocantes e macias, quase esfarelando, mas firmes, e com recheio de doce de leite, coberto com chocolate derretido ou polvilhado com açúcar de confeiteiro.

Originalmente produzido com amêndoas, mel e avelãs, chamou-se também alaju, e chegou às ruas espanholas como alfajor. Daí para frente, sua receita sofreu várias alterações, até chegar à composição atual que usa farinha, açúcar, ovos, essência de limão e amêndoas, recheada de doce de leite e coberta de chocolate ou açúcar.

No século XVIII, em Córdoba, nos conventos e casas religiosas, mãos habilidosas preparavam entre outros doces um biscoito de formato quadrado, unidos entre si por doce de leite e cobertos de açúcar, era chamado de tableta.

O pioneiro dos alfajores argentinos foi, em 1869, D. Augusto Chammás (químico francês que chegou em 1840) que inaugurou uma pequena indústria familiar dedicada à confecção de doces e outros confeitos. (fonte: www.angelicalalfajor.com.br)





foto: Havana Alfajores



2.5 - Medialunas


A medialuna (meia lua) apesar de lembrar muito o croissant francês em seu formato, tem um sabor bem diferente. É  mais doce e tem uma casquinha caramelizada. Não é de massa folhada tipo o croissant francês. Mas é uma delícia e podemos caracterizá-la como um dos ícones da culinária argentina.

foto: las medialunas del abuello

Quase todo mundo que vem a Buenos Aires se apaixona por essa iguaria à primeira mordida, mas o que exatamente você sabe sobre ela?

Medialunas são uma massa panificada à base de manteiga, farinha, açúcar e levedura. 


2.6 - A  beleza da pantagônia argentina (Bariloche, Calafate, Ushuaia)

a) Bariloche


Bariloche, rodeada por lagos (Nahuel Huapi, Gutiérrez, Mascardi) e montanhas, como o Cerro Tronador (3354 m de altitude, na fronteira com o Chile), o Cerro Catedral (movimentada estação de esqui) e o Cerro López. Possui cerca de 130 mil habitantes. Com neve nos meses de invernos e bosques floridos nos meses de verão é uma das cidades mais bonitas do mundo. Muito frequentada por nós brasileiros nas férias de julho, é também uma bela estação de esqui. 







b) Calafate


El Calafate é uma pequena cidade localizada na província de Santa Cruz, na Argentina, próximo à fronteira com o Chile. Possui aproximadamente 25 000 habitantes. 

É a cidade mais próxima do Parque Nacional Los Glaciares, a cerca de 80 quilômetros, onde localiza-se a maior geleira em extensão horizontal do mundo: o Glaciar Perito Moreno, que encontra-se constantemente em evolução. Também se localiza próximo de outra importante geleira: o Glaciar Upsala.






c) Ushuaia


Ushuaia é uma cidade da Argentina e capital da província da Terra do Fogo, Antártica e Ilhas do Atlântico Sul. Seu nome provém do idioma indígena yagan: ushu + aia (fundo + baía = baía profunda), e é pronunciado em castelhano uˈswaʝa. 

Sua região foi habitada pelo homem desde milhares de anos, e foi colonizada por europeus a partir de meados do século XIX, que instalaram missões para catequização dos indígenas. Estes, porém, logo desapareceram sob o impacto da aculturação e da devastação causada por epidemias trazidas pelos colonizadores.





2.7 - Os cafés de Buenos Aires


Os cafés de Buenos Aires são uma tradição de longa data. Os artistas, políticos, intelectuais, todos tinham a tradição de se reunirem para debaterem e trocarem ideias. Hoje ainda vemos a tradição de casais de idosos frequentarem nos domingos à noite, em um final de tarde, e em qualquer ocasião seja especial ou não, para tomarem café, comerem um pedaço de bolo e passarem um tempo em convívio com a sociedade;


                                                         Café Tortoni em Buenos Aires


2.8 - Os remises


Os remises são automóveis com um motorista que funcionam de forma muito similar aos táxis. São muito comuns na Argentina e no Uruguai, especialmente nas pequenas cidades onde não há tantos táxis.





Os remises se diferenciam dos táxis em três pontos:

  • Um remis não têm nenhuma cor ou característica distintiva. Podem ou não estar identificados como tal.  
  • Os remises não têm taxímetro e o preço é determinado previamente em função do trajeto. 
  • Os remises não podem parar na rua para pegar passageiros, devendo ser reservados por telefone ou tomados nas agências ou pontos nos aeroportos, estações de trem, ...,.

Os remises são o meio de transporte perfeito para se combinar um passeio pela cidade onde se combina o trajeto, o tempo, as paradas e os motoristas dão um preço bem mais em conta que se fôssemos pagar pelo  taxímetro. Encontram-se em toda Argentina. Já usei em Buenos Aires, Bariloche, Mendoza, Ushuaia, Calafate.

Observação: Os remises são um meio de transporte legal e confiável;

2.9 -  O lado argentino das Cataratas -  Foz do Iguazú


A visita às Cataratas do Iguaçu se completa com o passeio às cataratas pelo lado argentino. Lá temos mais trilhas e uma visão mais próxima das várias quedas d'água. São visões diferentes e todas elas grandiosas. 





2.10 - Tirinhas da Mafalda

Mafalda foi uma tira escrita e desenhada pelo cartunista argentino Quino. As histórias, apresentando uma menina (Mafalda) preocupada com a Humanidade e a paz mundial que se rebela com o estado atual do mundo, apareceram de 1964 a 1973, usufruindo de uma altíssima popularidade na América Latina e Europa.

A menina Mafalda foi muitas vezes comparada ao personagem Charlie Brown, de Charles Schulz, principalmente por Umberto Eco em 1968 



A personagem, cujo nome foi inspirado pela novela Dar la cara, de David Viñas, e alguns outros, foi criada em 1962 para um cartoon de propaganda que deveria ser publicado no diário Clarín. No entanto, Clarín rompeu o contrato e a campanha foi cancelada.

Mafalda somente se tornou um cartoon de verdade sob a sugestão de Julián Delgado, na época o editor-chefe do hebdomadário Primera Plana e amigo de Quino. Foi publicado no jornal de 29 de Setembro de 1964, apresentando somente as personagens de Mafalda e seus pais, e acrescentando Filipe em Janeiro de 1965. Uma disputa legal surgiu em Março de 1965, e assim a publicação acabou em 9 de Março de 1965.


3. - Não tem preço


Muitas coisas gostamos na Argentina mas, para não perder a alegria, lembramos que, ganhar uma partida de futebol contra um time argentino, se for o Boca Juniors melhor, não tem preço. A eterna discussão quem foi melhor Pelé ou Maradona, Maradona ou Messi, tudo isso faz parte da natureza alegre dos nossos povos. Saibamos usá-la de uma maneira saudável aprendendo uns com os outros. E rumo ao hexa em Moscou.







Para quem gosta de futebol, uma visita ao estádio do Boca Juniors, La Bombonera, situado no bairro la boca, é  uma ótima atração.

4. - Referências


Livro "Os Argentinos" Ariel Palacios
Remis: https://www.dicasdebuenosaires.com/remis
Mafalda: Wikipedia;
Alfajores: www.angelicalalfajor.com.br

Ushuaia: http://historiacomgosto.blogspot.com.br/2018/02/ushuaia-capital-da-terra-do-fogo.html
Calafate: http://historiacomgosto.blogspot.com.br/2018/03/el-calafate-terra-dos-glaciares.html
Cafés espetaculares: http://historiacomgosto.blogspot.com.br/2017/09/cafes-do-mundo-iv-cafe-tortoni-buenos.html
Vinhos de Mendoza: http://historiacomgosto.blogspot.com.br/2012/11/vinicolas-de-mendoza.html
Lagos Andinos: http://historiacomgosto.blogspot.com.br/2016/03/lagos-andinos.html
Parque dos Arrayanes: http://historiacomgosto.blogspot.com.br/2016/09/parque-nacional-dos-arrayanes-peninsula.html
Livraria Ateneo: http://historiacomgosto.blogspot.com.br/2017/08/as-livrarias-mais-bonitas-do-mundo.html


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