sábado, 17 de junho de 2017

Paulinho da Viola - A música do Brasil I

I. - Paulinho da Viola;

Paulo César Batista de Faria, ou simplesmente Paulinho da Viola, nasceu no Rio de Janeiro em 12 de novembro de 1942. Filho do músico Cesar Faria, Paulinho  cresceu num ambiente naturalmente musical. Na sua infância em Botafogo, bairro tradicional da zona sul do Rio, teve contato constante com a música através do pai, violonista integrante do conjunto Época de Ouro. Nos ensaios familiares do conjunto, Paulinho conheceu Jacob do Bandolim e Pixinguinha, entre muitos outros músicos que se reuniam para fazer choro e eventualmente cantar valsas e sambas de diferentes épocas.


Ainda jovem, por diversas vezes, foi por conta própria às reuniões promovidas por Jacob do Bandolim, o maior virtuose do instrumento no país, lá ficava atento aos encontros musicais e as histórias do grande mestre. Mesmo com toda essa experiência, a profissão de músico era algo que Paulinho não imaginava estar no seu caminho, já que até grandes ícones da música brasileira como o próprio Jacob não viviam exclusivamente de sua arte. 


Os primeiros sambas



Além de manter contato com o mundo do choro, na sua juventude Paulinho freqüentava a casa de sua tia Trindade no bairro de Vila Valqueire, no subúrbio da cidade. Lá, brincou diversos carnavais, uma experiência marcante para sua formação como sambista.

A escola de samba União de Jacarepaguá, localizada perto dali, estava crescendo e convidou os jovens foliões para integrar o seu conjunto. Foi o primeiro contato de Paulinho com uma escola de samba. Logo na quadra desta escola, Paulinho apresentou um de seus primeiros sambas, chamado “Pode ser Ilusão”. Ilusão não era, começava sua história como sambista.



O primeiro emprego


Pouco antes, logo após ter completado 19 anos, Paulinho conseguiu seu primeiro emprego como contador em uma agência bancária do centro do Rio e estudava economia. Em um dia de trabalho, viu Hermínio Bello de Carvalho, a quem conhecia de vista dos saraus musicais na casa de Jacob do Bandolim, entrar no banco para pagar uma conta e - depois de uma rápida conversa - lhe aconselhou a abandonar a carreira enquanto era jovem. 

Paulinho atendeu um convite para visitar o apartamento do poeta no Catete, que naquela época era bastante frequentado por músicos, intelectuais e artistas diversos. Lá, pôde ouvir pela primeira vez gravações de compositores como Anescar do Salgueiro, Carlos Cachaça, Cartola, Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho e Zé Ketti e também a ensaiar composições originais com Hermínio, um de seu primeiros parceiros musicais e grande incentivador de sua carreira. 

Zicartola


Ainda em 1963, Hermínio levou Paulinho para conhecer o Zicartola, bar e restaurante fundado por Cartola e a Dona Zica na Rua da Carioca que se convertera em um reduto de sambistas, chorões artistas, intelectuais e jornalistas. Quando aparecia por lá, o jovem Paulinho acompanhava, no cavaquinho ou no violão, compositores e intérpretes e também se apresentando cantando músicas de outros autores e, após fazer um show com o compositor Zé Ketti, foi incentivado pelo mesmo a cantar suas próprias músicas no Zicartola. 



No ano seguinte, após ter acompanhado o cantor Ciro Monteiro em uma canja no Zicartola, decidiu abandonar seu posto de bancário para se dedicar exclusivamente à música. Também em 1964, seu primo Oscar Bigode, que era diretor de bateria da Portela, o convenceu a mudar de escola de samba e o apresentou para a ala de compositores da agremiação de Oswaldo Cruz, onde Paulinho mostrou a primeira parte de um samba que fazia e que Casquinha, um dos compositores portelenses, havia gostado e completado com a segunda parte, criando-se assim "Recado". 

Rosa de Ouro e o nome artístico "Paulinho da Viola"


Já em 1965, participou do musical "Rosa de Ouro", montado por Kléber Santos e Hermínio Bello de Carvalho, que marcou o retorno de Araci Cortes e lançou Clementina de Jesus, e que culminou na gravação do LP Rosa De Ouro Vol.1, pela Odeon. Ainda naquele ano, o nome de Paulinho da Viola apareceu no LP Roda de Samba, da Musidisc. Essa gravadora, a mesma onde Paulinho estava registrando seus sambas, pediu para Zé Ketti organizar o conjunto A Voz do Morro, composto por integrantes do conjunto Rosa de Ouro - Anescar do Salgueiro, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Nelson Sargento e Paulinho - e acrescidos de Oscar Bigode, Zé Cruz e o próprio Ketti.  No processo de finalização desse álbum, um funcionário da Musidic não gostou do nome “Paulo César” e, tendo conhecimento da anedota, o jornalista Sérgio Cabral e Zé Ketti bolaram o nome artístico Paulinho da Viola. Nesse primeiro disco, aparecem as composições "Coração vulgar", "Conversa de malandro" e "Jurar com lágrimas".


No início de carreira Paulinho foi parceiro de nomes ilustres do samba carioca, como Cartola, Elton Medeiros e Candeia, entre outros. Destaca-se como cantor e compositor de samba, mas também compõe choros e é tido como um dos mais talentosos representantes da chamada Música Popular Brasileira. Torcedor do Vasco da Gama, participou do show comemorativo dos 113 anos do clube, onde apresentou as músicas "Coração Leviano" e "Foi um Rio que Passou em Minha Vida".



II. - A Música de Paulinho da Viola


Experimentar a música de Paulinho da Viola é encontrar um elo que alguns julgavam perdido. Fruto de encontros e fusões, sua obra origina-se a partir de um evento incomum: A interação de dois fenômenos culturais vistos como antagônicos. A estética e sofisticação da classe média da zona sul do Rio de Janeiro dos anos 50 e 60 encontram-se com a vibração dos subúrbios cariocas, resultando numa nova forma que atravessa o tempo sem alterar sua essência e abraçando a modernidade. 



A obra de Paulinho nos envolve de imediato com a habilidade de fazer desaparecer a preocupação cronológica dos acontecimentos. Nela, não há início, meio e fim. Há uma essência definida pelo encontro de sons que se casam harmoniosamente criando forma e conteúdo únicos.



Paulinho compõe nas formas de sambas, choros e experimentações. O samba é a forma principal, maternal do artista. O choro é a forma herdada do pai, um sofisticado estilo instrumental, quase erudito. A experimentação surgiu para atender ao desejo de dar vazão a um sentimento de busca por novas formas, traço comum do artista.



b) O samba


O samba surgiu no Brasil a partir da união da música trazida por escravos africanos com a música que veio com os imigrantes europeus. Diversos grupos culturais em várias regiões brasileiras já responderam por sua autoria, mas em cada lugar do país essa manifestação ocorre de forma diferente, sendo que na Bahia e no Rio de Janeiro encontramos as duas formas mais conhecidas.



O termo samba é aplicado de forma muito abrangente desde o século XIX. Determina vários estilos sincopados. O que vamos tratar aqui é mais precisamente do samba carioca, aquele que surgiu nos morros do Rio de Janeiro no século retrasado.



Não é possível descrever exatamente como se formou a cultura do samba carioca, que ocorreu nas escolas de samba durante a sua formação, qual era exatamente o significado de um gesto, de um sapato, de um paletó. Sabemos muito, mas não o suficiente para esgotar este universo. Os sambistas que antecederam Paulinho da Viola viveram sua cultura sem se preocupar em contar essa história. A arte do samba não persegue admiradores, simplesmente acontece.


Desde o seu início, o samba foi diretamente associado às festas africanas. Com o tempo, samba e carnaval foram crescendo juntos, tornando-se pilares da cultura popular e urbana do Brasil.


c) O choro


O choro surgiu no século XIX em áreas tradicionais do Rio de Janeiro. É um estilo instrumental popular que deriva principalmente da música de Bach. Sofisticado e complexo, é talvez um dos primeiros estilos musicais a se firmar nas Américas. Já foi dito que o choro é o jazz brasileiro, porém o choro é algumas décadas mais antigo do que o estilo instrumental americano. Não é um gênero tipicamente moderno como jazz, mas não estranha quando é trabalhado em novas formas.



Grandes músicos brasileiros surgiram deste estilo. Na primeira metade do século XX, Pixinguinha, João Pernambuco, Garoto, Dino 7 cordas, Jacob do Bandolim, Valdir Azevedo e muitos outros marcaram época e levaram o estilo, já tradicional, para as novas gerações que cultuam o choro até hoje. Muitos outros grandes músicos fizeram parte desta história. Desde Ernesto Nazareth e Joaquim Callado no século XIX até Raphael Rabello no final do século XX, considerado até hoje um violonista insuperável.



Atualmente o choro é um estilo propagado pelo mundo a fora. Há grupos de choro até no Japão, país que há algum tempo vem absorvendo a música brasileira. Dentro do país há várias instituições relacionadas ao assunto como os clubes de choro de Brasília e São Paulo. Com poucas, porém marcantes alterações de forma, continua sendo um dos mais autênticos estilos da música brasileira.




III. - Cinco músicas de Paulinho da Viola


a) 14 anos / Jurar com Lágrimas (1968)

Um pout pourri de 3 músicas de 1968 para dar uma idéia  das primeiras músicas. 






b) Foi um rio que passou em minha vida (1969)


Foi um Rio Que Passou em Minha Vida é também a canção que dá o nome ao segundo album do compositor lançado em 1970. A música foi lançada no 1969 na Feira Mensal de MPB da TV Tupi e se tornou o maior sucesso do 1970, projetando Paulinho a nível nacional.

Paulinho, da escola de samba da Portela, quis compensar com essa canção os seus companheiros de escola de uma canção lançada no ano anterior, "Sei lá Mangueira" feita por ele e Hermínio Bello de Carvalho como homenagem a escola concorrente da Mangueira e que se tornou um grande sucesso.

A música é uma declaração de amor de Paulinho para a sua escola de samba. 

A canção não foi o samba enredo da Portela no carnaval do 1970, mas, no documentário "Meu Tempo é Hoje", Paulinho conta como foi acolhida entusiasticamente no aquecimento e cantada por todos não apenas no desfile que acabara de terminar.



Foi um rio que passou em minha vida ficou classificado em 75o lugar na lista das 100 melhores músicas brasileiras de todos os tempos da revista Rolling Stone.


c) Sinal fechado (1969)


Lançada por Paulinho da Viola em 1969 e ganhadora do V Festival de Música Brasileira da TV Record, essa é uma canção diferente de tudo o que seu autor havia feito até então. 

Trata-se de um diálogo angustiado e apressado no meio do trânsito, de um encontro entre duas pessoas que têm muito a dizer, mas precisam se calar diante de várias barreiras, que aqui podem ser interpretadas tanto como a censura imposta por uma ditadura como o medo de gente que não quer mexer em sentimentos passados. 

A versão mais famosa ficou sendo a de Chico Buarque, lançada em 1974 em seu disco de mesmo nome, numa fase em que o compositor tinha o material próprio constantemente vetado pela censura. - Alexandre Duarte para a Rolling Stone 






Sinal fechado ficou classificado em 18o lugar na lista das 100 melhores músicas brasileiras da revista Rolling Stone.


d) A dança da solidão (1972)


A dança da solidão, além de música principal, também é o título do quinto álbum lançado em 1972.



e) Guardei minha viola (1972)


É a primeira música do quinto álbum de Paulinho da Viola.




IV. Documentário


Documentário: Paulinho da Viola – meu tempo é hoje - https://youtu.be/IwWCjaWRZfE

Sinopse: O cantor, compositor e instrumentista Paulinho da Viola apresenta seus mestres e amigos, suas influências musicais e percorre sua rotina peculiar e discreta, apresentando hábitos e costumes desconhecidos do grande público.
Data de lançamento: Brasil, 2003  
Direção: Izabel Jaguaribe
Roteiro: Izabel Jaguaribe, Joana Ventura, Zuenir Ventura
Elenco: Elton Medeiros, Marina Lima, Marisa Monte, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho
Produção: Beto Bruno    Fotografia: Flávio Zangrandi

 V. - Referências

Obs: O texto não é original. Todo o texto foi retirado, uma parte do site www.paulinhodaviola.com.br e outra parte da wikipedia - Paulinho da Viola, com a finalidade de divulgação cultural.

Site Oficial - http://www.paulinhodaviola.com.br

Wikipedia - Paulinho da Viola

Youtube - Músicas de Paulinho da Viola


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