sábado, 15 de abril de 2017

Quaresma IX - Sábado Santo, "Da descida da cruz ao Triunfo "

I - Sábado Santo - O Triunfo da Cruz, Mosaico na Basílica de São Clemente



A Basílica de San Clemente em Roma impressiona os visitantes com um mosaico medieval que simboliza toda a história da salvação como sendo centrada na imagem vivificante da cruz. É uma jornada visual, simbólica, paralela à história da salvação proclamada na Vigília Pascal.



O mosaico nos situa na história da criação do Gênesis. A obra está em uma meia cúpula, simbolizando o céu, com a mão divina do Criador atingindo para baixo através de uma explosão de glória celestial para a cena movimentada de plantas, pássaros, insetos, animais e pessoas que vivem a sua vida cotidiana abaixo .


Um olhar mais atento à Mão Divina revela que traz não só a vida, mas a glória, uma vez que mantém uma coroa de vitória sobre o símbolo central do mosaico: o Cristo crucificado. A cruz como o ponto focal desta cena abundante agita a pergunta profundamente dentro de nós: Como pode ser que o Deus da vida é pregado a esta árvore? Como pode ser que a história da salvação, em todas as suas pulsantes e prósperas para a vida, culmine nessas luzes sombrias e sombrias? 

Através do padrão vegetal repetitivo deste mosaico, poderíamos reconhecer uma resposta. As trepadeiras são um símbolo do tecido da vida - o que sustenta a existência de todas as criaturas que detectamos em toda a cena. Embora os redemoinhos preencham o mosaico, eles emergem de um lugar central: o pé da cruz, de onde a videira brota vigorosamente. Abaixo da videira está a borbulhar a água, ecoando o Salmo 104: "Envias nas nascentes os cursos de água que serpenteiam entre os montes. Ao lado deles moram as aves do céu; De entre os galhos eles enviam o seu cântico. "Observamos dois cervos que lambem água das nascentes, enquanto pássaros e pessoas vêm para ele de ambos os lados, como se respondendo ao chamado do Senhor:" Todos os que têm sede, agua."

A cruz dá vida - este é o mistério central da Páscoa e o profundo significado pelo qual entramos em vigília. Hoje à noite, a mão do Criador chega mais uma vez para nos convidar para a nova criação que nasce do Mistério Pascal e nos convida a seguir Cristo desde a morte até a Ressurreição. A plenitude da vida, como mostra este mosaico, deve ser mantida por esse mistério no tecido da vida que emerge da esperança, da alegria, da promessa e da possibilidade desde o próprio pé da cruz.


Comentário é de Daniella Zsupan-Jerome, professora assistente de liturgia, catequese e evangelização na Universidade Loyola de Nova Orleans.


II. - Basílica de São Clemente


A Basílica de São Clemente é uma igreja e basílica menor de Roma, Itália, dedicada ao papa São Clemente I. Arqueologicamente falando, a estrutura é um complexo composto por três edifícios um sobre o outro: (i) a basílica atual, construída pouco antes do ano 1100, no auge da Idade Média; (ii) abaixo dela está uma basílica do século IV construída com base na casa de um nobre romano, parte da qual foi utilizada como igreja doméstica por um breve período no século I e cujo porão serviu como um mitreu, também por um curto período, no século II; e (iii) a casa de um nobre romano construída sobre as fundações de um edifício da era republicana destruído no Grande Incêndio de Roma em 64 d.C.

Resumo histórico

Esta antiga igreja foi transformada ao longo dos séculos, de uma residência que abrigava um local de adoração cristão clandestino no século I até uma grande basílica pública no século VI, refletindo o avanço do cristianismo no Império Romano, tanto em legitimidade quanto em poder. Os vestígios arqueológicos da história da basílica foram descobertos na década de 1860 por Joseph Mullooly leitor em Teologia a partir de 1849 na Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino.



A moderna basílica foi reconstruída pelo cardeal Anastácio entre 1099 e ca. 1120. A basílica atual é uma das mais decoradas de Roma. A entrada cerimonial atravessa um átrio rodeado por arcadas e que atualmente serve como claustro, com edifícios conventuais à volta. De frente para o átrio está a fachada de Carlo Stefano Fontana (sobrinho de Carlo Fontana), com suas colunas antigas, e uma pequena torre sineira. A igreja em si conta com uma nave e dois corredores, separados por arcadas de antigas colunas de mármore ou granito decoradas em cosmatesco. A "schola cantorum" (E na planta) incorpora elementos de mármore reaproveitados da antiga basílica e atrás dela, no presbitério, está um baldaquino (H na planta), assentado sobre quatro colunas e acima da cripta com o santuário de São Clemente. A cátedra está na abside, coberta por mosaicos sobre o "Triunfo da Cruz", um dos mais importantes mosaicos romanos do século XII.

Em uma das paredes do átrio está uma placa afixada pelo papa Clemente XI (r. 1700–1721) elogiando São Clemente: "Esta antiga igreja sobreviveu à devastação dos séculos". Ele também reformou a antiga estrutura, que estava bastante dilapidada na época, e deixou-a a encargo de Carlo Stefano Fontana, que completou a fachada em 1719. O teto de caixotões em talha dourada da nave e dos corredores é da mesma época, assim como a decoração em estuque, os afrescos e os capiteis jônicos.

Numa capela lateral está um santuário com o túmulo de São Cirilo, irmão de São Metódio, ambos criadores do alfabeto glagolítico e apóstolos dos eslavos. O papa São João Paulo II costumava rezar ali pelos Polônia e outros países eslavos[15]. Está ali também uma Madona de Giovanni Battista Salvi da Sassoferrato.

Em 1667, depois que Inglaterra suprimiu a Igreja Católica irlandesa e expulsou todo o clero, o papa Urbano VIII ofereceu-lhes refúgio em San Clemente, onde estão até hoje. Os monges dominicanosirlandeses gerenciam um seminário no local e promoveram novas escavações na década de 1950 em conjunto com estudantes de arqueologia italianos.

III .- Lamentação sobre o Cristo Morto, Mantegna


A Lamentação sobre o Cristo Morto (em italiano Lamentazione sul Cristo morto) é uma das mais notáveis pinturas de Andrea Mantegna e é uma têmpera sobre tela (68x81 cm), pintada provavelmente entre 1475 e 1478[1] e conservada na Pinacoteca de Brera, em Milão.

A pintura é famosíssima pela figura do corpo de Jesus Cristo deitado, que tem a particularidade de seguir e olhar quem olha nos pés de Jesus. É, provavelmente, uma das obras mais conhecidas do Renascimento.






"O artista apresenta Cristo morto, com o corpo estendido sobre uma pedra de mármore, tendo a cabeça ligeiramente tombada para a sua esquerda, com os olhos fechados, sendo visível as profundas feridas nos pés e nas mãos, ocasionadas pelos pregos da crucificação. Seu corpo é forte e musculoso, mas a lividez do mesmo não deixa dúvida de que se encontra sem vida. Uma fina mortalha cobre sua parte inferior, que já se encontra rígida. Suas dobras dão continuidade aos sulcos do tronco. As rugas da face de Cristo e as das duas figuras a seu lado harmonizam com o desenho do tecido de cetim rosado do traveiro. A presença de um recipiente com unguentos, à esquerda do corpo, mostra que ele já foi perfumado.

(Comentário do site http://virusdaarte.net/mantegna-cristo-morto/)





IV - Andrea Mantegna

Andrea Mantegna (Vicenza c.1431 - Mântua, 13 de setembro de 1506) foi um pintor e gravador do Renascimento na Itália. Foi o primeiro grande artista da Itália setentrional.


Embora substancialmente relacionada com o século XV, a influência de Mantegna está bem marcada sobre o estilo e as tendências da arte italiana de sua época. Giovanni Bellini em seus primeiros trabalhos obviamente segue os passos do cunhado. Albrecht Durer foi influenciado por seu estilo durante suas duas viagens à Itália. Leonardo da Vinci pegou de Mantegna o uso da decoração com festões e frutas. Mas o maior legado é considerado a introdução de um ilusionismo espacial, seja em afrescos ou em pinturas sacras; sua tradição de decorar forros foi seguida por três séculos. Inspirando-se no Quarto dos esposos, Correggio produziu sua obra maior do domo da catedral de Parma baseado na pesquisa de Mantegna sobre perspectiva.


V. - Cristo descido da Cruz por Rogier van der Weyden, 1435






A Descida da Cruz (ou Deposição de Cristo , ou Descida de Cristo da Cruz ) é uma pintura de painel pelo artista flamengo Rogier van der Weyden criado c. 1435, agora no Museo del Prado , Madrid. O Cristo crucificado é abaixado da cruz , seu corpo sem vida mantido por José de Arimateia e Nicodemos .

A data de realização é estimada em 1435 com base no estilo do trabalho, e porque o artista adquiriu riqueza e renome em torno deste tempo, muito provavelmente do prestígio que este trabalho lhe permitiu. Foi pintado no início de sua carreira, pouco depois de ter completado seu aprendizado com Robert Campin e mostra a influência do pintor mais velho, características faciais realistas e cores primárias vivas, principalmente vermelhos, brancos e azuis.  O trabalho foi uma tentativa  auto-consciente de van der Weyden para criar uma obra-prima que estabeleceria uma reputação internacional. 

Os historiadores da arte comentaram que este trabalho foi indiscutivelmente a pintura holandesa mais influente sobre a crucificação de Cristo. O mesmo foi copiado e adaptado em grande escala nos dois séculos seguintes à sua conclusão. O impacto emocional dos choros sobre o corpo de Cristo e a sutil descrição do espaço na obra de van der Weyden geraram também muitos comentários críticos.


VI - Rogie van der Weiden


Rogier van der Weyden ou Rogier de Bruxelles, cujo verdadeiro nome é Rogier de la Pasture (Tournai, 1400 — Bruxelas, 18 de junho de 1464), foi um dos mais notáveis e importantes pintores góticos flamengos.

Ao ser proclamado pintor oficial da cidade de Bruxelas, adotou o nome de Rogier van der Weyden, que era, notoriamente, um nome flamengo. Rogier trabalhou bastante em Bruxelas, especialmente na corte do Duque da Borgonha. Era um discípulo de Robert Campin. Partiu para Itália em 1450 e viveu em Roma e Ferrara, embora tenha voltado a Bruxelas no final da sua vida.

Seus quadros são hoje disputados pelos melhores museus e coleccionadores de todo o mundo, encontrando-se algumas das suas obras no Museu do Prado, em Madrid e no Museu do Louvre, em Paris


III. - Reflexão sobre o Triunfo da Cruz, Papa Francisco

Solenidade de Cristo Rei do Universo, 22 de Novembro de 2015

Diante de milhares de fiéis presentes, o Santo Padre explicou: “Dizer que ‘Jesus deu a vida pelo mundo’ é verdadeiro, mas é mais belo dizer: ‘Jesus deu a sua vida por mim’. E hoje aqui na praça, cada um de nós diga em seu coração: ‘Deu a vida por mim’, para salvar cada um de nós dos nossos pecados”.

“Quem entendeu isto? Entendeu bem um dos dois malfeitores que foram crucificados com Ele, conhecido como o ‘bom ladrão’, que suplica: ‘Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino’. Ele era um malfeitor, era um corrupto que foi condenado à morte por causa da brutalidade que cometeu na vida. Mas ele viu na atitude de Jesus, na humildade de Jesus o amor. Esta é a força do reino de Cristo: o amor”.

Depois de afirmar que Cristo se revelou como rei na cruz, o Papa indicou que quem olha para ela “não pode não ver a surpreendente gratuidade do amor, mas algum de vocês poderia dizer: ‘mas, Padre, isto foi um fracasso!’ É justamente no fracasso do pecado – o pecado é um fracasso –, no fracasso da ambição humana, que podemos ver o triunfo da cruz, aí está a gratuidade do amor”.

“No fracasso da cruz se vê o amor, este amor que é gratuito, que Jesus nos dá. Falar de potência e de força para o cristão, significa fazer referência ao poder da Cruz e à força do amor de Jesus: um amor que permanece firme e íntegro, mesmo diante da recusa, que surge como o cumprimento de uma vida gasta na oferta total de si em favor da humanidade”, prosseguiu o Pontífice.

“No calvário, os circunstantes e os líderes ridicularizam Jesus pregado na cruz e lançam o desafio: ‘Salva-te a ti mesmo, e desce da cruz’. Mas, paradoxalmente a verdade de Jesus é aquela que em tom de zombaria seus adversários lançam sobre Ele: ‘não pode salvar-se a si mesmo!’”.

Em seguida, o Papa precisou: “Se Jesus tivesse descido da cruz, teria cedido à tentação do príncipe deste mundo, ao invés, Ele não salva a si mesmo justamente para poder salvar os outros, porque deu a sua vida por nós, por cada um de nós”.

Quando Jesus se apresenta ante o Pilatos como rei de um reino que “não é deste mundo”, isto “não significa que Cristo seja rei de outro mundo, mas rei de outra maneira, mas é rei neste mundo”.

“Trata-se de uma contraposição entre duas lógicas: a lógica mundana apoiada na ambição e na competição combate com as armas do medo, da chantagem e da manipulação das consciências. A lógica do Evangelho, a de Jesus, ao contrário, expressa na humildade e na gratuidade, afirma-se silenciosamente, mas eficazmente com a força da verdade”, enfatizou o Santo Padre.

“Olhemos para a cruz do bom ladrão e digamos todos juntos aquilo que disse o bom ladrão: ‘Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino’. Pedir a Jesus, quando nos encontramos frágeis, pecadores, derrotados, para nos guardar e dizer: ‘O Senhor está aí. Não se esqueça de mim’”.

Ao finalizar sua reflexão, o Papa Francisco disse: “Diante de tantas dilacerações no mundo e das demasiadas feridas na carne dos homens, peçamos a Nossa Senhora que nos ampare no nosso esforço a fim de imitar Jesus, nosso rei, tornando presente o seu reino com gestos de ternura, de compreensão e de misericórdia”.




IV. - Referências




Cristo Morto: Comentário de http://virusdaarte.net/mantegna-cristo-morto/

Basílica de São Clemente: Wikipedia

Descida da Cruz> Rogier van der Weiden, Wikipedia





V - Série "Quaresma"


Quaresma I - Fé e Arte

Quaresma II - A Transfiguração de Rafael Sanzio

Quaresma III - A Samaritana

Quaresma IV - Cristo cura o cego de nascença (El Greco)

Quaresma V - Ressurreição de Lázaro por Janos Vaszary

Quaresma VI - Domingo de Ramos, pintura de Giotto di Bondone

Quaresma VII - Cerimônia do Lava Pés (pintura de Bernhard Strigel)

Quaresma VIII - Cristo e o bom ladrão

Quaresma IX - Sábado santo, "Da descida da Cruz ao Triunfo"
http://historiacomgosto.blogspot.com.br/2017/04/quaresma-ix-sabado-santo-da-descida-da.html

Quaresma X - Domingo de Páscoa, "A Ressurreição de Jesus Cristo", Piero della Francesca

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