quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Machu Picchu - A cidade perdida dos Incas

I - Machu Picchu


Machu Picchu, também chamada "cidade perdida dos Incas", é uma cidade pré-colombiana bem conservada, localizada no topo de uma montanha, a 2400 metros de altitude, no vale do rio Urubamba, Departamento de Cusco, atual Peru.

Foi construída no século XV, sob as ordens de Pachacuti. O local é, provavelmente, o símbolo mais típico do Império Inca, quer devido à sua original localização e características geológicas, quer devido à sua descoberta tardia em 1911. Apenas cerca de 30% da cidade é de construção original, o restante foi reconstruído. As áreas reconstruídas são facilmente reconhecidas, pelo encaixe entre as pedras. A construção original é formada por pedras maiores, e com encaixes com pouco espaço entre as rochas.

Consta de duas grandes áreas: a agrícola formada principalmente por terraços e recintos de armazenagem de alimentos; e a urbana, na qual se destaca a zona sagrada com templos, praças e mausoléus reais. A disposição dos prédios, a excelência do trabalho e o grande número de terraços para agricultura são impressionantes, destacando a grande capacidade daquela sociedade. No meio das montanhas, os templos, casas e cemitérios estão distribuídos de maneira organizada, abrindo ruas e aproveitando o espaço com escadarias. Segundo a história inca, tudo planejado para a passagem do deus sol. 


Visão Panorâmica, Machu Pichu, foto HistoriacomGosto

O lugar foi elevado à categoria de Patrimônio mundial da UNESCO, tendo sido alvo de preocupações devido à interação com o turismo por ser um dos pontos históricos mais visitados do Peru. A organização suíça New Open World Corporation (NOWC) em votação mundial gratuita pela internet e ligações telefônicas (mais de 100 milhões de votos pelo mundo) e com analise de arquitetos e arqueólogos classificou Machu Picchu como umas das sete maravilhas do mundo moderno. Há diversas teorias sobre a função de Machu Picchu, e a mais aceita afirma que foi um assentamento construído com o objetivo de supervisionar a economia das regiões conquistadas e com o propósito secreto de refugiar o soberano Inca e seu séquito mais próximo, no caso de ataque. (Wikipedia)

II - Histórico

a) Os Incas


O Império Inca (Tawantinsuyu em quíchua) foi um Estado criado pela civilização inca, resultado de uma sucessão de civilizações andinas e que se tornou o maior império da América pré-colombiana. A administração política e o centro de forças armadas do império ficavam localizados em Cusco (em quíchua, "Umbigo do Mundo"), no atual Peru. O império surgiu nas terras altas peruanas em algum momento do século XIII. 

De 1438 até 1533, os incas utilizaram vários métodos, da conquista militar à assimilação pacífica, para incorporar uma grande porção do oeste da América do Sul, centrado na Cordilheira dos Andes, incluindo grande parte do atual Equador e Peru, sul e oeste da Bolívia, noroeste da Argentina, norte do Chile e sul da Colômbia.

O império abrangia diversas nações e mais de 700 idiomas diferentes, sendo o mais falado o quíchua. Outro idioma que se destacava era a língua aimará, de uma das principais etnias componentes, os aimarás. O nome quíchua para o império era Tawantinsuyu, que pode ser traduzido como as quatro regiões ou as quatro regiões unidas. Antes da reforma ortográfica era escrita em espanhol como Tahuantinsuyo. Tawantin é um grupo de quatro partes (tawa significa "quatro", com o sufixo -ntin que nomeia um grupo); Suyu significa "região" ou "província". O império foi dividido em quatro Suyus, cujos cantos faziam fronteira com a capital, Cusco (Qosqo). (Wikipedia)


b) Pachacutec e o Reino de Cusco, sede do Império dos Incas (reinou de 1438 a 1471)


Um primeiro momento de desenvolvimento da cultura inca ocorreu após a migração para o vale de Cusco, e a fundação da primeira cidade pelo então Sapa Inca Manco Capac. Essa cidade-Estado, que cresceu conforme a expansão das guerras pelo vale, atingiu seu ápice em 1438, quando Viracocha Inca funda o Tawantinsuyu.

O Sapa Inca Pachacuti é quem de fato organizou o reino de Cusco como um império, o chamado Tahuantinsuyu, um sistema federalista que concentrava o centro do governo para os incas em Cusco, e dividia o poder entre outros quatro governantes de províncias (os chamados Suyus), eram esses: o Chinchasuyu (Norte), o Antisuyu (Leste), o Contisuyu (Oeste) e Collasuyu (Sul). A Pachacuti também é atribuída a construção de Machu Picchu, que teria sido feita para sua família como um retiro de verão.



Dotado de um grande talento militar, iniciou a expansão do Império Inca mais além das fronteiras do Peru atual: até o norte, conquistou os reinos Chimu e de Quito, e pelo sul chegou até o vale de Nazca. A fim de impor seu domínio sobre um complexo mosaico de mais de 500 tribos, com línguas, religiões e costumes díspares e radicadas em áreas geográficas distantes, Pachacuti Inca Yupanqui reprimiu com extrema dureza as rebeliões dos povos submetidos e não hesitou em deportar os grupos mais conflitivos para longe de suas regiões de origem, dando lugar aos "povos deslocados", povos que, por sua rebeldia haviam sido levados desde seu lugar de origem a outro lugar mais estratégico para os objetivos do Império Inca.



Não foi, porém, um mero conquistador, já que também soube dotar seu Estado de uma sólida e eficaz estrutura administrativa. Assim, por exemplo, organizou as cidades conquistadas segundo o modelo inca e dotou seu governo de uma hierarquia de funcionários que prestavam contas de sua gestão em Cusco, a capital do Império Inca, que durante o reinado de Pachacuti superou os 100.000 habitantes. De fato, todos os cargos importantes eram desempenhados por funcionários de origem inca, enquanto que os governos regionais estavam em mão de membros da familia real.


c) Atahualpa - O último Imperador Inca (1502 a 1533)



Atahualpa, foi o décimo terceiro e último Sapa Inca (imperador inca) de Tahuantinsuyu, como era chamado o Império Inca.

Atahualpa era filho do Inca Huayna Capac com Tocto Pala, princesa estrangeira (de Quito) que desposara o Inca Tupac Yupanqui, pai de Huayna e que do leito do pai passou para o do filho. 

O Pai de Atahualpa designou o seu meio-irmão Huascar como sapa inca, fato que gerou a disputa sucessória pelo trono na qual Atahualpa venceu, apoiado por grande exército e bons generais, numa guerra sangrenta que durou vários anos e a morte estimada de 100.000 pessoas.

Voltando para a cidade de Cusco,a capital do império, para tomar posse do trono que recentemente conquistara, Atahualpa parou na cidade andina de Cajamarca, conduzindo um exército de cerca de 80.000 guerreiros, quando foi traído e aprisionado pelo conquistador espanhol Francisco Pizarro, no dia 16 de novembro de1532.

O episódio ocorreu quando o soberano inca, depois de aceitar um convite de Pizarro para jantar e conversar, veio à praça principal de Cajamarca, trazendo apenas um pequeno contingente de guardas de honra. Foi proposta a sua submissão forçada ao Reino Espanhol com a sua conversão religiosa. Como ele não concordou, foi preso e mantido como refém para exigencia de resgates.


d) Manco Capac II (~1544) e Machu Picchu




Um outro irmão de Atahualpa, Huyana Capac,  a partir da prisão e posterior morte de Atahualpa, se proclamou o novo imperador inca com a ajuda dos espanhois que o queriam como aliado. Entretanto após ver os desmandos e crueldades praticados pelos invasores, revoltou-se, deslocou-se para a floresta, tentou uma rebelião mas foi assassinado em 1544. 



Presume-se que desde o início a localização de Machu Picchu era de conhecimento de poucos e que era feito um juramento de não revelar a sua localização. Era para ser usado pelos Imperadores em caso de necessidade de refúgio. 



Por isso  conclue-se que os espanhóis não tiveram acesso a cidade de Machu Picchu que depois de um tempo tornou-se perdida / esquecida.

e) Hiram Bingham


Foi o professor norte-americano Hiram Bingham quem, à frente de uma expedição da Universidade de Yale, redescobriu e apresentou ao mundo Machu Picchu em 24 de julho de 1911. Este antropólogo, historiador ou simplesmente, explorador aficionado da arqueologia, realizou uma investigação da zona depois de haver iniciado os estudos arqueológicos. Bingham criou o nome de "a Cidade Perdida dos Incas" através de seu primeiro livro, Lost City of the Incas.



Porém, naquela época, a meta de Bingham era outra: encontrar a legendária capital dos descendentes dos Incas, Vilcabamba, tida como baluarte da resistência contra os invasores espanhóis, entre1536 e 1572. Ao penetrar pelo cânion do Urubamba, Bingham, no desolado sítio de Mandorbamba, recebeu do camponês Melchor Arteaga o relato que no alto de cerro Machu Picchu existiam abundantes ruínas. Alcançá-las significava subir por uma empinada ladeira coberta de vegetação.

Quando Bingham chegou à cidade pela primeira vez, obviamente encontrou a cidade tomada por vegetação nativa e árvore. E também era infestada de víboras.



Embora cético, conhecedor dos muitos mitos que existem sobre as cidades perdidas, Bingham insistiu em ser guiado ao lugar. Chegando ao cume, um dos meninos das duas famílias de pastores que residiam no local o conduziu aonde, efetivamente, apareciam imponentes construções arqueológicas cobertas pelo manto verde da vegetação tropical e, em evidente estado de abandono há muitos séculos. Enquanto inspecionava as ruínas, Bingham, assombrado, anotou em seu diário:



“ Would anyone believe what I have found?" (Alguém acreditará no que encontrei?) ”



Visão Panorâmica, a partir de Machu Picchu, foto HistoriacomGosto


Depois desta expedição, Bingham voltou ao lugar em 1912 e, nos anos seguintes (1914 e 1915), diversos exploradores levantaram mapas e exploraram detalhadamente o local e os arredores.

Suas escavações, não muito ortodoxas, em diversos lugares de Machu Picchu, permitiram-lhe reunir 555 vasos, aproximadamente 220 objetos de bronze, cobre, prata e de pedra, entre outros materiais. A cerâmica mostra expressões da arte inca e o mesmo deve dizer-se das peças de metal: braceletes, brincos e prendedores decorados, além de facas e machados. Ainda que não tenham sido encontrados objetos de ouro, o material identificado por Bingham era suficiente para inferir que Machu Picchu remonta aos tempos de esplendor inca, algo que já evidenciava seu estilo arquitetônico.


III - O Caminho


a) A partir de Cuzco - Rio Urubamba - Ollantaytambo


A ferrovia que leva a Machu Pichu pode sair de Cuzco ou de Ollantaytambo e vai margeando o rio Urubamba durante todo o tempo. O tempo de viagem a partir de Cuzco dura normalmente em torno de 3h 30min até a estação de Águas Calientes.

Rio Urubamba, foto HistoriacomGosto

b) Ollantaytambo



Ollantaytambo ou Ullantaytanpu é uma obra monumental da arquitetura incaica. Ela é uma cidade da era Inca ainda habitada. Em seus palácios vivem os descendentes das casas nobres cusquenhas. Os pátios mantêm sua arquitetura original. Atualmente é um povoado, capital do Distrito de Ollantaytambo (Província de Urubamba), situado na parte sul a cerca de 90 km a noroeste da cidade de Cuzco. É um dos pontos de partida do caminho a Machu Picchu. 



- Cidade histórica


Ollantaytambo, foto de takepicsforfun em Shutterstock.com

Esta cidade constituiu um complexo militar, religioso, administrativo e agrícola. A entrada é feita pela porta chamada Punku-punku.

Trata-se de um dos complexos arquitetônicos mais monumentais do antigo Império Incaico. Comumente chamado "Fortaleza", devido a seus descomunais muros, foi na realidade um tambo ou cidade-alojamento, localizado estrategicamente para dominar o Vale Sagrado dos Incas.

c - Parada do Trem no percurso para Machu Picchu






d) Águas Calientes - Ponto de Apoio e  base para Machu Picchu


Atualmente existem muitas pousadas e pontos de apoio em Águas Calientes. Em 1985 tinhámos apenas uma ou duas opções de pousada sem nenhum conforto e um pequeno restaurante na estação.  Á noite, a visão do céu estrelado, a partir do leito do rio e afunilada pelas grandes montanhas e com muito pouca luminosidade ao redor, é espetacular.

Terminal de Aguas Calientes em 1985, foto HistoriacomGosto


e) Vista do terminal de Águas Calientes


Vista do trem bem abaixo - Vista de cima
Visão do terminal Águas Calientes - 1985


f) A estrada de acesso


O acesso é feito através de ônibus autorizado. Somente passa um veículo de cada vez e o tempo de subida ou descida é de cerca de 30 min.

Estrada de Acesso para Machu Picchu, foto Teo Domingues em Shutterstock.com

IV - A cidade


Visão geral da cidade, Machu Picchu, foto HistoriacomGosto


Compartimentos / Divisões


A área edificada em Machu Picchu é de 530 metros de comprimento por 200 de largura e inclui ao menos 172 recintos. O complexo está claramente dividido em duas grandes zonas: a zona agrícola, formada por conjuntos de terraços de cultivo, que se encontra ao sul; e a zona urbana, que é aquela onde viveram seus ocupantes e onde se desenvolviam as principais atividades civis e religiosas. As duas zonas estão separadas por um muro, um fosso e uma escadaria, elementos que correm paralelos pela face leste da montanha.


Zona Urbana 
Zona ágrícola com terraços de cultivo



Zona Agrícola

Terraços agrícolas, Machu Picchu, foto HistoriacomGosto


Zona Residencial


Zona Residencial, Machu Picchu, foto HistoriacomGosto

V - Referências

Wikipedia - Os Incas / Machu Picchu / Manco Inca / Pachacutec / Atahualpa / Cuzco

História com Gosto - Fotografias e lembranças de viagem

Machu Picchu - Simone Wiasbard - Editora Hemus

Manco Capac II - http://www.monografias.com/trabajos32/rebelion-manco-inca/rebelion-manco-inca.shtml

2 comentários:

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    1. Obrigado. Toda semana publicamos em torno de 2 a três posts sobre locais históricos de interesse. Acompanhe-nos.

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