quinta-feira, 14 de julho de 2016

História Resumida de Florença - Da Fundação ao Renascimento

I - História de Florença


Provavelmente habitada em tempos mais remotos pelos etruscos, Florença foi fundada como vila pelos romanos no século I d.c.. A cidade foi construída visando a sua defesa, na confluência dos rios Arno e Mugnone. 



Visão panorâmica de Florença - foto de Veronika Galkina em fotolia.com.br


- Invasões Bárbaras (Século I - IV)



No período das invasões bárbaras Florença foi bastante atacada. A sua localização estratégica, como ponte sobre o rio Arno e como ponto de comunicação entre Roma e Padânia, era a razão principal pela qual ela era tão disputada. 



Mapa da Itália mostrando a ligação de Padania a Roma passando por Florença - fonte google maps





Padânia é una denominação geográfica que identifica as regiões do norte da Itália (Vale de Aosta, Piemonte, Ligúria, Lombardia, Trentino-Alto Adige, Vêneto, Friuli-Venezia Giulia e Emília-Romanha). Alguns autores incluem a Toscana nessa designação mas não é o mais comum.


- Período Bizantino e Lombardo (Século IV a Século VIII)



Entre 541 e 544 foram construídos novos muros para a cidade, sobre a estrutura de diversas grandes construções romanas, como o Capitólio, o reservatório de água e o teatro. As paredes eram trapezoidais e seu tamanho modesto atesta o declínio da cidade, muito despovoada, com menos de mil habitantes.

Por volta do final do século VI, quando os lombardos conquistaram o norte da Itália e da Europa Central, Florença caiu sob seu domínio. Era o começo do que pode ser considerado o período mais negro da história da cidade. 

Retirada fora das rotas principais, havia desaparecido a principal razão para sua existência. Para a comunicação norte-sul, os Lombardos abandonaram a rota central de Bolonha-Florença-Pistóia, pois era muito exposta às invasões dos bizantinos, que ainda tinham o controle da parte oriental da Itália. Lucca foi escolhida como a capital do Ducado da Toscana pela sua localização, que  ficava perto das estradas usadas para comunicação interna.



- Período Carolíngio (Século IX a Século X)



No período carolíngio Florença se torna um condado do Sacro Imperío Romano e surge então uma escola publica eclesiástica. 

No final do século X, a Condessa Willa, viúva do Marquês da Toscana, que possuía um distrito inteiro dentro das muralhas, fundou uma abadia beneditina, à qual doou muito dinheiro em memória de seu marido. Este foi chamado de "Badia Fiorentina". O filho da Condessa Willa, Hugo, contribuiu fortemente para o desenvolvimento de Florença ao decidir sair de Lucca. A escolha de Florença como lugar de sua residência reforçou o caráter administrativo da cidade.

O ponto de inflexão (Século X - A virada)



O ano  mil pode justamente ser considerado um ponto de virada decisivo na história da Europa Cristã. Isto por razões muito mais importantes do que apenas o mil como número redondo.

Mosteiro Cistercense, www.cistercensi.info
Já havia falhado a primeira tentativa de estabelecer a paz, a prosperidade e a ordem civil sobre as ruínas do Império Romano, feita  pela chamado Renascença carolíngia.

O glorioso império de Carlos Magno ruiu sob o antagonismo de seus netos e uma nova onda de invasão bárbaras que chegava. Os Vikings atacaram a partir do norte, os sarracenos do sul, os húngaros do Oriente. Perto do final do século IX o problema não era somente a defesa da civilização cristã mas a sobrevivência do próprio cristianismo.

Os bárbaros, mais uma vez, faziam os ataques, montados em  cavalo ou em seus navios, em todo o continente: Roma e Paris estavam tão inseguras quanto Bordeaux, Marselha ou Nápoles. Ainda fumegavam ruínas de mosteiros outrora tão poderosos, enquanto o papado afundava para tornar-se uma instituição de importância agora exclusivamente local.

Entretanto, em meados do século X, começaram a se multiplicar os sinais de esperança. O ímpeto de invasões bárbaras diminuiu quando os vikings e os húngaros se estabeleceram nas terras recém-conquistadas e começaram a se integrar ao mundo cristão, tornnado-se colaboradores ativos no lento processo de reconstrução.

Otto I, um saxão, deu um pouco de  ordem nas terras germânicas, ele renovou o Império e resgatou  o papado das mãos das famílias mais poderosas de Roma, que guerreavam perpetuamente  entre si. Enquanto isso, Cluny, em rápida expansão, restaurava na Europa ocidental a confiança e o respeito pelas instituições monásticas.

(fonte: http://www.cistercensi.info/storia/storia_es.htm)


- As Comunas (Século XII)





                      A comuna de Florença, ilustração da Wikimedia Commons



A partir do século XII Florença já passa a se organizar em "comunas", as quais começaram a planejar uma forma de governo - com direito a prefeitos e magistrados - que se encarregavam de administrar e defender tanto as cidades como seus interesses, os burgueses de maior riqueza e poder ocupavam os principais cargos, elaboravam leis, criavam tributos, controlavam os impostos para fazer e manter a construção de obras e claro tinham política própria.

Embora os nobres detivessem a maior fatia do poder no século XII, os comerciantes foram os principais responsáveis pelo desenvolvimento da cidade. A ascensão dos comerciantes na segunda metade do século, assim como o comércio com países distantes se intensificou e tornou-se uma nova fonte muito mais rica e de acumulação de capital. O amplo comércio e seu companheiro inseparável, o crédito, foram a base da expansão econômica e demográfica da cidade.



- Guelfos e Guibelinos (Séculos XII e  XIII)



Os guelfos e os gibelinos constituíam facções políticas que, a partir do século XII, estiveram em luta na Itália, especialmente na República Florentina. Os conflitos se intensificaram sobretudo a partir do século XIII.


Na origem tratava-se de uma disputa entre os partidários do papado (os guelfos) e os partidários do Sacro Império Romano-Germânico (os gibelinos).

As denominações "guelfos" e "gibelinos" originaram-se após o imperador Henrique V (1081 - 1125) morrer sem deixar herdeiros diretos. Criou-se, então, um conflito na disputa pela sucessão do Sacro Império. Os guelfos e o Papa apoiavam a Casa de Welf (de onde provém o termo "guelfo"), enquanto os gibelinos eram partidários da casa suábia dos Hohenstaufen, senhores do castelo de Waiblingen (de onde provém a palavra "gibelino").



  Guelfos x Gibelinos - ilustração de Faberh em Wikimedia Commons
                            
No interior das cidades, a mesma dicotomia se reproduziu, mas acabou perdendo o significado tradicional de luta política entre o papado e o Sacro Império, para transformar-se em luta entre as facções da população, pelo domínio da cidade. Para aumentar sua força, as cidades, tanto guelfas quanto gibelinas, assim como as respectivas famílias, reuniam-se em ligas opostas.

Assim, a partir da segunda metade do século XIII, a cidade guelfa de Florença combateu a liga gibelina formada pelas cidades toscanas de Arezzo, Siena, Pistoia, Lucae Pisa
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- Expansão da Cidade e Seu Auge (Século XIII)


Pallazzo Vecchio, foto de prosiaczeq / fotolia.com
                                
Na última parte do século XIII Florença chegou ao auge de seu desenvolvimento econômico e demográfico. Durante este tempo, foram feitas grandes obras nos campos da arquitetura e urbanismo, e isso foi possível graças à enorme acumulação de capital que resultaram das atividades comerciais e financeiras. A população continuou a aumentar e foi necessário construir novos muros, ampliando a área protegida para cinco vezes o tamanho anterior. 


No final do século XIII Florença poderia justamente ser considerada a principal cidade do Ocidente. Os empresários então no poder decidiram construir dois edifícios que simbolizassem a riqueza e o poder da cidade: a nova catedral e o Palazzo della Signoria. Arnolfo di Cambio era a notável figura que projetou ambos os edifícios, assim como todas as outras obras importantes promovidas pelo governo das cooperativas, incluindo os novos muros.


                  Catedral (Duomo ) de Florença - foto de Jiri Vondrous em shutterstock.com



- Do Século XIV ao Renascimento



No final do século XIII e durante o século XIV acentuaram-se os contrastes entre as classes mais baixas e a classe de comerciantes ricos. Estes últimos conseguiram se estabelecer no poder, mas no século XIV a população menos favorecida tentou várias vezes ampliar a base democrática de governo. Em 1378, sob o impulso de um movimento movido pelo proletariado, o grupo de pessoas mais afortunadas foi forçado a aceitar uma reforma constitucional que incluía a criação de novas cooperativas; Tintori, Farsettai, Corsettieri e Ciompi, correspondente às tarefas mais humildes e aos trabalhadores. Por causa de interesses divergentes internos e a inabilidade de governar, essas cooperativas não conseguiram sustentar a reação dos comerciantes de classe média.





Ponte Vecchio sobre o rio Arno, Florença - foto de  marina shinkarchuk / Shutterstock.com



Negros e brancos



A rivalidade entre duas famílias nobres causou muita discórdia e levou à formação de dois grupos rivais, conhecidos como negros e brancos. Os primeiros eram geralmente membros dos recém-chegados, que rapidamente enriqueceram e foram agrupados com os representantes das antigas classes de nobres mais intransigentes dos Guelfos. Os dois partidos se revezaram no poder na última década do século XIII, mas o conflito se intensificou.

Casa onde nasceu Dante Alighieir, foto de Sailko, wikimedia commons


Durante o século XIV, o conflito interno e as guerras foram agravadas pela fome e epidemias, em especial a Peste Negra de 1348, o que agravou uma situação que já era precária. Mais danos foram causados pela inundação desastrosa de 1333, que varreu todas as pontes sobre o rio Arno, exceto Rubaconte. O século XIV foi, portanto, um século de crise política e econômica, um período decisivo comum a todas as economias ocidentais.



Os Médicis (1434 - final do século)



Quando o poder voltou para ao partido dos gordos (popolo grasso), no final do século XIV, um regime oligárquico foi criado em Florença e um pequeno percentual da classe média mercantil governou a cidade por cerca de 40 anos. 
No entanto, seguiu-se forte oposição à oligarquia e que  inteligentemente explorou esse descontentamento popular. A parte da classe média que tinha sido excluída do poder se juntou ao povo e encontrou um líder em Giovanni Médici, chefe da empresa mais rica e poderosa da Calimala. Após a morte de Giovanni (1429), o contraste entre as os partidos ficou ainda mais evidente, enquanto continuava a crescer a corrente de opinião favorável aos Médicis. 

Cósimo Médici
O filho mais velho de Giovanni, Cósimo, era um banqueiro e negociante competente. Ele logo percebeu-se que a riqueza da família era grande demais para ser protegida sem cobertura política, por causa das operações financeiras e crescente problema com várias entidades. Assim começou sua subida para as alavancas do poder da República Florentina Através do controle das eleições, do sistema tributário e da criação de novas magistraturas, lançou as bases para o poder da família Médici. Mantendo formas e instituições republicanas, baniu seus inimigos e oponentes e concentrou as principais magistraturas nas mãos de seus partidários.



Verdadeiro fundador do poder da família, obteve o senhorio virtual da cidade a partir de 1434, quando expulsou os líderes da facção oligárquica dos Albizzi. Com isso encontrou caminho livre, embora tenha respeitado a forma antiga de governo e evitado medidas arbitrárias.

Cósimo, astutamente era o senhor da cidade, embora tentasse esconder o fato, mesmo desprovido de qualquer poder real.

Ele morreu em 1464, e foi substituído pelo medíocre Piero, o Gotoso (1464-1469), cujo filho, Lourenço, o Magnífico, deu prosseguimento à política de dissimulação quase até o final do século: fazia os ofícios tradicionais, mas foi na verdade, e sem dúvidas, o Senhor de Florença, em todos os aspectos.

II - O RENASCIMENTO ITALIANO 




                                Escola de Antenas, Rafael, Vaticano

Durante os anos em que a oligarquia mercante governou Florença e no período antecedente aos Médici , os contatos cada vez mais frequentes com leituras da antiguidade grega e romana provocaram um novo espírito e a cidade se tornou o centro onde o Humanismo foi fundado. O homem passou a considerar-se o centro do mundo, ávido por conhecimento racional e por afirmar seu domínio sobre o meio natural e a história que o precede. 


A cultura literária, as ciências, as artes e as atividades humanas são colocadas em primeiro plano. Este foi um período áureo do intelecto e da cultura na Europa. Por exemplo, Filippo Brunelleschi, entre 1420 e 1446 fez uma grande quantidade de obras que foi um dos momentos mais importantes da história da arquitetura e do urbanismo florentino. 



Entrada do Pallazzo Vecchio com a réplica do David de Michelangelo, foto de ribeiroantonio / Shutterstock.com


Um número incrível de pessoas participou na vida artística de Florença e ajudaram a construir a imagem da cidade renascentista de Brunelleschi, Donatello, Masaccio, Filippo Lippi, Ghirlandaio Domenico, Sandro Botticelli, Fra Angelico, Michelozzo, Giuliano da Sangallo e Bento Majano.  

III - Tópicos  importantes em Florença


Florença vista da colina, foto historiacomgosto 


Como Florença é uma cidade riquíssima nos aspectos históricos e culturais, ficaria muito pesado criar um blog único sobre a cidade. Optamos então por criar esse blog de história resumida de Florença e criar links para os seguintes eventos importantes na sua história.


- História resumida de Florença
- Batistério de São João e as Portas do Paraíso
- A Catedral (Duomo) de Florença 
- Dante Alighieri e a Divina Comédia
- Galeria Uffizzi - Construção e Obras
- Michelangelo Buonarroti - Esculturas e Obras
- Leonardo da Vinci - Sua história em Florença
- Boticcelli, O Nascimento de Vênus e Primavera.


IV - Referências


História Resumida de Florença - http://www.aboutflorence.com/pt/historia-de-Florenca.html
Mosteiro de Florença e ano mill - http://www.cistercensi.info/certosadifirenze/index.php
Wikipedia - Florença / Comunas Medievais.
Fotos: Wikimedia Commons, Fotolia, Shutterstock e historiacomgosto

Obs: A maior parte do texto foi compilada do site www.aboutflorence.com

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